Dinheiro Mal Ganho, Dinheiro Mal Gasto

Há um provérbio que encerra uma grande verdade: “Dinheiro mal ganho, dinheiro mal gasto.” Vou interpretá-lo espiritualmente.

Em se tratando de especulação existem vários tipos, tais como a Bolsa de Valores, o aumento ou a redução do preço das mercadorias, as apostas em corridas de cavalos etc. De todos eles, o mais representativo é a Bolsa de Valores e, por essa razão, vou me deter em sua análise.

Na época em que eu não seguia nenhuma religião, lancei mão desse tipo de aplicação financeira. Durante alguns anos, vendi e comprei ações, mas acabei tendo um grande prejuízo. Naturalmente, esse também foi um dos motivos que me levaram a entrar para a vida religiosa, e os conhecimentos que adquiri sobre o lado espiritual da questão me mostraram que jamais se deve fazer tal tipo de aplicação. Gostaria, portanto, que as pessoas interessadas na Bolsa de Valores não deixassem de ler este artigo.

É costume dizer que, na Bolsa de Valores, cem pessoas perdem para uma lucrar, e é exatamente assim. Não existe, entretanto, uma só pessoa que, tendo-se tornado rica da noite para o dia, consiga conservar a fortuna por muito tempo. Ao mesmo tempo, quem tem grandes ganhos, é quem mais perde; quanto mais a pessoa lucra, um precipício ainda maior estará à sua espera. Espiritualmente, a explicação é a seguinte:

As pessoas que perdem na Bolsa de Valores, na sua maioria, sentem-se decepcionadas, inconformadas, querendo recuperar o dinheiro de qualquer jeito. Assim é o sentimento humano. Consequentemente, o ressentimento converge para quem lhes tirou o dinheiro. Uma vez que não se sabe quem é essa pessoa, nem onde ela reside, esse sentimento acaba sendo direcionado, evidentemente, para a Bolsa de Valores e se acumula nas notas de dinheiro. Analisando espiritualmente, no dinheiro utilizado nas operações da Bolsa de Valores projectam-se as imagens do ressentimento de milhares de pessoas. Como essa imagem e as próprias pessoas prejudicadas estão ligadas pelo elo espiritual, o pensamento [sonen] de recuperar o dinheiro constantemente o puxa para si. Por essa razão, esse dinheiro nunca permanece por muito tempo nos cofres de quem o ganhou. Chegará o dia em que ele será arrancado, e a pessoa sofrerá um grande prejuízo, ficando sem um centavo sequer.

Isso não ocorre apenas nos casos de especulação, mas em tudo o que se relacione com dinheiro. Ou seja, quando as riquezas são obtidas de forma ilícita; quando não se gratifica a quem de direito ou propositadamente concede-se um valor menor ou quando não se paga uma dívida etc. Em tais situações, a pessoa lesada fica com ódio. Dessa forma, como já disse, quem causa prejuízo a alguém não conseguirá impedir que o dinheiro escape.

Outro fato que se precisa saber é que, desde os tempos antigos, muitas construções religiosas ficaram reduzidas a cinzas em consequência de incêndios. Parece incompreensível que templos, santuários, capelas, mosteiros

e outras construções realizadas com donativos sejam destruídos pelo fogo dessa forma. Na realidade, existe um motivo. É que, por ocasião de se angariarem fundos para construí-los, forçou-se a situação. Por exemplo, às vezes, determina-se uma quantia para os membros ou igrejas filiais, que são forçados a colaborar, o que não é natural. Tratando- se de donativo religioso, o correto é que a quantia seja determinada pela livre vontade da pessoa. Só quando se faz com alegria e satisfação é que a oferta se torna verdadeiro donativo. Outro fator é que a utilização dessas construções deve estar de acordo com a vontade dos deuses e não pode haver atitudes que sejam erróneas ou que tornem as edificações impuras. Caso contrário, elas receberão o “batismo pelo fogo”.

Voltando ao caso da Bolsa de Valores, quando o objetivo da compra de ações não for a especulação, mas sim os juros, ou seja, os dividendos, trata-se de um bom investimento, porque isso não representa “comprar” rancores ou qualquer outro sentimento negativo. Pelo contrário, investimentos são muito necessários ao desenvolvimento da indústria e, por essa razão, sua prática merece ser bastante incentivada.

Jornal Hikari no 14, 25 de junho de 1949

Vol. 4, pág. 177

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