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Deus é Justo e Correcto

A essas alturas, pode soar estranho afirmar que Deus é justo e correto. Contudo, insisto nesse ponto, pois não só as pessoas em geral, mas até ministros religiosos e fiéis se esquecem disso. Escrevo sobre esse tema porque, apesar de nossa religião enfatizar a justiça e a retidão e se dedicar à prática do bem, vez ou outra, há aqueles que se afastam do caminho correto e se enveredam por rumos indesejáveis. Nessas ocasiões, infalivelmente, eles recebem de Deus algum sinal de advertência. Se eles o ignoram, recebem uma punição rigorosa.

No início de sua vida de fé, a pessoa se emociona verdadeiramente perante as graças e os milagres recebidos, e mantém uma postura fervorosa. Uma vez que é uma fé correta, as dádivas se fazem evidentes e, naturalmente, essa pessoa passa a ser respeitada por todos. Além disso, sua vida melhora consideravelmente. Desse modo, a atitude correta seria expressar ainda mais gratidão pelas bênçãos divinas e empenhar-se ao máximo na retribuição a elas. Infelizmente, com o passar do tempo, sem se dar conta, a pessoa se acostuma com o recebimento das graças e nasce a vaidade, surgindo, assim, uma brecha em seu coração.

O espírito maligno está sempre à espreita, aguardando esta brecha. Tão logo ela surge, tal espírito domina a pessoa, passando a manipular seu corpo físico livremente, o que é realmente perigoso.

Quanto mais determinado e útil o fiel for, mais ele é visado pelo espírito maligno. No entanto, se for alguém que, de fato, vive corretamente a fé, ele estará em segurança, pois esse espírito desistirá do seu intento por não poder fazer nada contra ele. Ainda assim, há quem caia nas garras do mal, e esse ponto é muito complexo. Contudo, pode-se entender esses casos com base no seguinte critério: se a pessoa tem ou não amor egoísta. O espírito maléfico nada pode fazer contra a pessoa que, sem pensar nos próprios interesses, tem por princípio viver somente para Deus e para a humanidade. No entanto, quando as coisas começam a correr bem, o indivíduo torna-se convencido, julgando-se

muito importante. Este é o momento perigoso, uma vez que acaba sendo tomado pela ambição. Por conta disso, agora ele tenta mostrar-se importante e conquistar o poder. É um fato realmente aterrador. Chegando a essa, o espírito maligno penetra ainda mais profundamente na alma desse indivíduo e acaba por dominá-lo.

Quando esse espírito é dos mais poderosos, a pessoa manifesta considerável força espiritual. Obviamente, trata-se de um poder temporário mas, como promove a cura de doenças e outros milagres, a vaidade torna-se ainda maior e, consequentemente, a pessoa é levada a pensar que é a encarnação de alguma divindade e começa a agir como tal.

No Japão, existem muitas novas religiões cujos fundadores são, na maioria, desse tipo. Todavia, como não se trata de divindades autênticas, após certo tempo, eles acabam entrando em decadência. Aqui reside um ponto que exige atenção. Se observarem de forma criteriosa a postura desses fundadores e daqueles que se acham encarnação de alguma divindade, irão compreender bem o que estou dizendo. Suas principais características são: o amor é escasso, a fé é do tipo shojo, dogmática e rígida, e costumam ameaçar seus fiéis dizendo que receberão castigos se eles não lhes obedecerem ou que, se deixarem sua fé ou seu grupo, acabarão arruinados ou perderão a vida. Trata-se de fé ameaçadora, que procura impedir o afastamento dos fiéis. Se houver, por mínimo que seja, algum desses indícios não haverá erro em assegurar que ela é dominada pelo espírito maligno.

Conforme sempre afirmo, a fé correta é a de caráter daijo e liberal, em que o fiel é livre tanto para continuar como para deixar a fé. Além disso, ela é paradisíaca, alegre e cheia de vida. Ao contrário, a religião dogmática, regida por preceitos rígidos, é maligna e de fé infernal. Devem acautelar-se principalmente com as que dizem ter segredos que não podem ser revelados a ninguém. Se houver segredo, por menor que seja, já deve ser considerada uma fé maligna. As corretas são a própria imagem da transparência, sem nenhum indício de segredos.

18 de março de 1950 

Alicerce do Paraíso Vol.3.Pág.53