Ultrarreligião
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A maioria das pessoas toma por um sonho descabido o objectivo da nossa Igreja — construir um mundo sem doença, pobreza e conflito, ou seja, o Paraíso Terrestre.

Jesus Cristo anunciou que a chegada do Reino dos Céus estava próxima, mas não disse que iria construí-lo. Buda Sakyamuni afirmou: “Após a destruição da Lei Búdica, surgirá o Mundo de Miroku.” Não declarou que esse mundo estivesse iminente; ao contrário, ele estaria infinitamente longe: 5.670.000.000 (cinco bilhões seiscentos e setenta milhões) de anos. Os seguidores do judaísmo oram pela vinda do Messias, mas não sabem quando isso ocorrerá. Lendas da Índia transmitidas desde a antiguidade sobre o surgimento de Tenrin Bossatsu[1], a era do Pedestal do Néctar, da Igreja Tenrikyo, o Mundo de Serenidade e Paz, anunciado por Nitchiren, e o Mundo do Pinheiro, proclamado pela fundadora da Oomoto[2], são referências ao surgimento de uma era ideal, mas não foi indicado quando isso sobreviria. Devemos pensar profundamente no porquê de ninguém ter mencionado a época em que esse mundo seria concretizado.

Todas essas profecias foram de grande utilidade; mas, uma vez que não houve anúncio nem da realização nem do plano de execução, devemos interpretar que o momento ainda não chegara. Por outro lado, sabemos que os ensinamentos pregados e praticados pelos fundadores formaram a base de cada uma das religiões. Naturalmente, cada fundador criou e divulgou suas doutrinas, formas e métodos adequados aos diferentes povos e países. Evidentemente, as religiões foram criadas sob o desígnio de Deus, necessárias e próprias a cada época, localidade, povo, tradição, costume etc. Graças a isso, cultivou-se a harmonia, e a cultura alcançou o deslumbrante progresso que hoje apresenta.

Não fossem as religiões, o mundo estaria à mercê do mal ou, talvez, destruído. Se pensarmos assim, não é exagero dizer que os grandes feitos dos fundadores de religiões e seus seguidores merecem nossa mais alta consideração. Embora as religiões até hoje existentes tenham conseguido fazer com que se evitasse a destruição do mundo, permanece a dúvida: será que continuarão úteis para os mundos actual e vindouro? Uma vez que as religiões tradicionais não têm sequer força para salvar o mundo de hoje, fica claro que será impossível conter os sofrimentos infernais e muito menos elevá-lo ao estado paradisíaco. De facto, apenas alguns grupos sociais usufruem dos benefícios da magnífica cultura moderna. Podemos apontar como a causa disso a demasiada falta de espírito de harmonia e o incontrolável desejo de conflito.

Uma observação sobre o mundo contemporâneo faz com que as pessoas sensatas sintam a necessidade do aparecimento de uma grande luz que dissipe as trevas, isto é, da força salvadora de uma Ultra-religião. Nesse sentido, conscientes de que fomos incumbidos da responsabilidade de actuarmos como uma Ultra-religião, estamos apresentando resultados surpreendentes.

 30 de janeiro de 1950

Alicerce do Paraíso vol. 1 pág.26

 

[1] Tenrin Bossatsu: Conhecido também como Tenrin Jo-o em japonês ou em sânscrito como Cakravartin, é um termo usado nas religiões indianas para um governante universal ideal, que governa o mundo de forma ética e benevolente.

[2] Oomoto: Religião japonesa fundada, em 1892, por Nao Deguchi (1836-1918).

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