O fato seguinte aconteceu logo depois que eu comecei a servir ao lado de Meishu-Sama. Naturalmente, eu desejava fazer qualquer coisa pela grandiosa obra de salvação da humanidade. Assim, muito contente e cheio de ânimo, procurei empenhar-me em tudo. Entretanto, havia uma enorme distância entre esse grande sonho e minha verdadeira capacidade, o que me fazia sentir constantemente torturado por incertezas e sensação de vazio.
Como qualquer pessoa que deposita esperanças no futuro, antes de mais nada, quis saber qual era a minha missão e perguntei a Meishu-Sama: “Que dedicação devo fazer?” Ele respondeu com palavras de profundo significado: “Sua função é executar os serviços internos, por isso, deve ficar aqui em casa. Por um tempo, basta escrever poesias, pintar e fazer coisas do gênero.”
Ele nem se preocupou com as dificuldades financeiras (por volta de 1928) e me tratou como a um rei. Realmente, teve uma atitude muito condescendente. Eu, que esperava servir sem medir esforços, ao mesmo tempo em que fiquei surpreso, emocionei-me diante da generosidade de Meishu-Sama.
Naturalmente, eu deveria seguir obedientemente suas palavras mas, na realidade, ainda não possuía uma fé tão bem alicerçada; além disso, não tinha vocação ou capacidade para me dedicar às artes, como a pintura e a poesia. Não era nada fácil ficar só me divertindo; principalmente, porque via Meishu-Sama empenhar-se dia e noite nas tarefas da Obra Divina. Tentava, então, realizar outros tipos de serviços, mas não conseguia fazer nada satisfatoriamente como meus companheiros.
Nesse interim, teve início a venda do jornal da nossa Igreja, e eu participei com muito entusiasmo; todos os dias, ia de porta em porta oferecê-lo. Entretanto, por falta de perseverança, e sem conseguir obter bons resultados, logo desanimei e fiquei desapontado por me sentir inferior aos demais. Então, Meishu-Sama disse: “Como já lhe falei, você deve permanecer servindo nos trabalhos internos”, o que me deixou aliviado. Pouco tempo depois, ele iniciou encontros culturais e fui encarregado das atividades literárias e musicais. Meu horizonte se ampliou, minha auto-estima cresceu e, pela primeira vez, senti a alegria de ser útil.
Pensando bem, embora os outros me vissem como alguém incapaz, acredito que Meishu-Sama já considerava, desde o início, minhas habilidades; por isso, ordenara que eu ficasse apenas me divertindo, aguardando a chegada do momento oportuno para o meu verdadeiro servir.
Um servidor
Reminiscências Sobre Meishu-Sama vol. 5