Este fato aconteceu quando eu estava dedicando no Museu de Arte de Hakone. Como tinha algo para fazer no local de descanso, desci o caminho que passava por trás do Hagui- no-Ya. Naquele momento, Meishu-Sama, de guarda-chuva na mão e em companhia de Nidai- Sama e sua tia, fazia o mesmo percurso que eu, apreciando os trevos. Ele me perguntou: “O local de descanso está aberto?” Aquela hora, ele já estava fechado, mas como eu tinha as chaves, respondi-lhe: “Um momento, por favor” e fui abrir a porta.
Já no recinto, Meishu-Sama contemplava da janela o Jardim dos Musgos, que desaparecia entre a névoa. Eu, pensando que através das vidraças ele não conseguiria ver muito bem o jardim envolto pela neblina, fiz menção de abrir a janela. Então, Meishu-Sama me olhou e perguntou:
— O que você vai fazer? Eu lhe disse apenas:
— Vou abrir a janela.
— Por que vai abrir?
— Pensei que, assim, o senhor poderia apreciar melhor o jardim.
Desse jeito, a névoa vai entrar, não é? advertiu-me.
Em seguida, Meishu-Sama ficou andando entre as cadeiras que estavam na sala de descanso e, ao ver minha capa de chuva molhada em cima de uma das cadeiras, indagou em voz alta: “Quem colocou esta capa aqui?” “Fui eu”, respondi cabisbaixo, e ele disse: “Cadeira serve para sentar, não para colocar isso.” De facto, ele tinha toda a razão. Mais que depressa, retirei a capa dali e novamente veio outra advertência: “Quem colocou o guarda-chuva aqui? Ele deveria estar no local apropriado.” Anteriormente, quando ele se dirigira à janela, eu havia largado o guarda-chuva de qualquer jeito para acompanhá-lo.
Essas coisas aconteceram em menos de cinco minutos. Logo depois, Meishu-Sama foi embora e, enquanto observava sua figura desaparecer no nevoeiro, repeti para mim mesmo que jamais deixaria de ficar atento aos detalhes.
Um servidor do Museu de Arte
Reminiscências Sobre Meishu-Sama vol. 5