O seguinte fato aconteceu em Kyoto, quando Meishu-Sama apreciava um quadro de autoria de Sotatsu”.
Olhando a obra atentamente, Meishu-Sama disse: “Não sei se podemos dizer que ela seja verdadeira, mas nem por isso é falsa.” Não compreendi bem o sentido dessas palavras e perguntei a Meishu-Sama seu significado.
Rindo, ele me disse: “Parece que ninguém acha estranho que eu não tenha comprado nenhuma obra falsa, entre tantas que consegui colecionar. Apesar de, desde jovem, gostar muito de arte, isso não foi o suficiente para eu dominar o assunto. Depois que decidi construir o museu, fui obrigado a estudar muito. Tive que pesquisar vários tipos de arte e aprender com os próprios objetos. Quando surgia uma oportunidade, humildemente, pedia a orientação dos especialistas. Estudei avidamente, dia e noite, nas horas vagas dos afazeres da Obra Divina. Talvez vocês sequer imaginam, mas foi através deste esforço que pude desenvolver a minha sensibilidade artística.
Além disso, avalio a obra através de vibrações espirituais. Quando aprecio um trabalho autêntico, o sentimento de felicidade do autor no momento da sua conclusão é-me transmitido de forma fiel e agradável. Se ele não é autêntico, por mais perfeito que possa parecer, tenho uma sensação desagradável e verifico que é falso.
Nesse sentido, sei que há algo naquele quadro que só Sotatsu conseguiria expressar, mas a sensação que me toca o coração, embora seja agradável, é muito fraca. Por isso, neste quadro, penso que os seus discípulos teriam colorido o desenho por ele feito. Eis porque digo que este quadro não é autêntico, mas também não é falso.”
Um chefe de Igreja
Reminiscências Sobre Meishu-Sama vol. 5