“…Deus não nos dá o que queremos, mas…”

26 de Agosto, 2025

“…Deus não nos dá o que queremos, mas…”

ELIANE EUNICE JUSTINO MONTENEGRO
CENTRO DE APRIMORAMENTO DO MORRO BENTO
OESTE
LUANDA
ANGOLA

Sou membro e dedico como Encarregada do Servir e  Monitora do CriançÁfrica.

Conheço a Igreja Messiânica, desde o meu nascimento, por intermédio dos meus pais.

A experiência de fé que passo a relatar, está relacionada com o meu despertar para o servir.

Durante alguns anos, dediquei na minha Unidade Religiosa como locutora, uma função com a qual me identificava profundamente. No entanto, certo dia, fui convidada a dedicar no Servir. Confesso que, inicialmente, não gostei da ideia, pois sentia que aquela área não combinava comigo, pensava: “Não gosto de usar saias nem vestidos, sou tímida, teria que servir muitas pessoas, especialmente ministros,  para além disso, não sou tão atenta nem muito organizada, porque ir para lá?”

Apesar das minhas resistências, após uma conversa sincera com o então responsável, aceitei a nova tarefa. No início, foi muito difícil me adaptar, mas com a permissão de Deus, fui me enquadrando pouco a pouco. Graças a Deus, o responsável esteve sempre ao meu lado incentivando, parabenizando quando eu acertava e corrigindo com paciência quando eu falhasse.

Com o tempo, fui dando conta, de significativas mudanças  em mim; aquela pessoa  distraída, começou a tornar-se mais atenta, venci a timidez gradualmente e até a minha forma de vestir foi transformada. Antes, eu usava apenas calças jeans, ténis e t-shirts, hoje, visto-me com mais delicadeza e feminilidade. Passei também a interessar-me por áreas como pastelaria, culinária, entre outras.

Mais tarde, compreendi que Deus me conduziu para a àrea do Servir, justamente para lapidar os aspectos que precisavam ser aprimorados em mim. Percebi que o servir, vai muito para além de se oferecer um copo com água. É um exercício constante de amor, atenção e humildade.

Depois de algum tempo, senti que as meninas que dedicavam comigo já estavam suficientemente independentes e que o grupo podia seguir sem a minha presença constante. Voltei então a dedicar na locução, mas não por muito tempo, pois nasceu em mim, o desejo de servir em uma nova área: o grupo CriançÁfrica. Na época, não havia ninguém cuidando das crianças na nossa Unidade.

Conversei com o meu superior, compartilhando esse desejo. Ele ouviu-me atentamente, apoiou e pediu que eu assumisse o grupo. Quando comecei, havia apenas 20 crianças e muitas delas, resistiam em permanecer na sala comigo. Mesmo assim, com fé e determinação, pedia sempre permissão a Meishu-Sama e conversava com as crianças, explicando a importância de estarem ali para se tornarem crianças melhores. No início, vinham com o rosto fechado, sem entusiasmo. Mas à medida que estudávamos os ensinamentos de Meishu-Sama e realizávamos actividades recreativas, começaram a  sentir-se mais à vontade. Graças a Deus, atualmente dedico com 46 crianças no Centro de Aprimoramento do Morro Bento e conto com o apoio de uma auxiliar maravilhosa.

Com essa aceitação e o bom desempenho das crianças, recebi a permissão de dedicar com o CriançÁfrica não só na nossa Unidade, mas também com crianças de outras Unidades Religiosas. A líder do CriançÁfrica a nível de Luanda, conversou comigo e convidou-me a auxiliá-la com as crianças à nível das regiões de Luanda. Aceitei o desafio com alegria e assim, passei a dedicar de maneira mais abrangente.

Curiosamente, essa dedicação levou-me de volta ao ponto de partida, mas de um modo completamente novo. Fui chamada a dedicar novamente no Servir, na Sede Central, como Encarregada do Servir a nível da Região Oeste. Tive também a permissão de servir no Culto do Paraíso terrestre, graças a Deus e ao Messias Meishu-Sama.

As bênçãos continuaram: tive a permissão de participar das aulas do grupo Servir na Sede Central. Essas aulas têm sido transformadoras e têm moldado muito o meu interior. Além disso, tive, juntamente com outras colegas, a permissão de participar do curso de Ikebana, nível básico, também na Sede Central.

Uma das experiências mais marcantes, foi receber o carinho e o reconhecimento dos pais das crianças. Muitos têm elogiado as actividades e expressado gratidão, pedindo que eu continue com o mesmo empenho. Um dos encarregados, chegou a pedir que eu fosse madrinha de uma das meninas, não só durante a cerimônia de Outorga, mas para a vida toda. Fiquei profundamente tocada e aceitei esse novo desafio com grande alegria.

Reconheço que ainda não sou uma pessoa completamente transformada, mas entendo que estou em constante evolução. A cada dia, Deus me ensina algo novo, e sigo aprendendo com humildade e gratidão.

Com essa experiência de fé, aprendi que Deus não nos dá o que queremos, mas o que realmente precisamos para crescer e evoluir.

Por isso, sou imensamente grata a Deus, a Meishu-Sama e aos meus Antepassados, pela permissão de conhecer e poder servir neste maravilhoso caminho da salvação.

Muito obrigada!

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