“…a ingratidão nos leva ao abismo do sofrimento e que…”

9 de Novembro, 2025

“…a ingratidão nos leva ao abismo do sofrimento e que…”

JÚLIA LUÍS MARTINS
NÚCLEO DE JOHREI SIMIONE FELIMAR
NORTE-SUL
LUANDA
ANGOLA

Sou membro e dedico como auxiliar do Grupo Lua nesta Unidade.

Conheci a Igreja Messiânica em 2001, por intermédio da minha mãe, membro desta Igreja.

Os motivos que me levaram a conhecer a Igreja foram doenças. Padecia com anemia falciforme, desde o meu nascimento, situação que me fazia perder peso constantemente. No intuito da resolução desses problemas, frequentámos hospitais e fizemos tratamentos tradicionais, mas sem solução.

Quero esclarecer que, quando a minha mãe conheceu a Igreja, eu tinha apenas 11 anos de idade. Após ter sido encaminhada, com o recebimento de Johrei e o cumprimento das práticas básicas, essas doenças foram ultrapassadas. Como gratidão, em 2003, todos de casa fomos outorgados, para melhor servirmos nesta Obra Divina.

A experiência de fé que passo a relatar,  está relacionada com a ingratidão.

Depois de tantos anos como membro, recebi vários milagres na minha vida, que não consegui agradecer à altura. Como consequência, tempos depois, comecei a ouvir comentários vindos da minha família e amigos, dizendo que a Igreja Messiânica não era boa, que não havia união e que eu devia procurar uma outra Igreja. No princípio, rejeitei, mas depois acreditei no que diziam e acabei por desistir da Igreja.

Após afastar-me, comecei a ter problemas sérios na vida. Os filhos adoeciam constantemente, o meu marido foi expulso do emprego e eu fui contraindo muitas dívidas que só aumentavam, sem conseguir pagar. Cheguei ao ponto de, as credoras irem fazer confusão na minha casa. Para aumentar ainda mais o meu sofrimento, o meu filho paralisou a boca, ficando sem falar. Dias depois, perdi o meu Ohikari.

Fiquei sete anos afastada da Igreja, período em que passei por todas essas dificuldades. De tanto sofrimento, lembrei-me de todos os milagres que já tinha recebido na Igreja Messiânica. Foi assim que, decidi voltar a frequentar novamente.

Ao chegar à Unidade, fui atendida pelo plantonista que, depois de ouvir o meu relato de sofrimento, orientou-me a voltar ao sentimento inicial e a materializar o donativo da reoutorga. Recebi a orientação com o coração aberto e passei a cumpri-la. À medida que fui dedicando, fazendo plantões, participando das visitas e limpezas das casas, a doença dos meus filhos foi ultrapassada, o meu marido conseguiu outro emprego e todas as dívidas foram pagas.

No ano em curso, cheguei a receber uma soma avultada em dinheiro, o suficiente para materializar o donativo da reoutorga e fazer outras coisas, mas tão logo recebi o dinheiro,  não consegui agradecer à altura. Pensei: “primeiro vou investir o dinheiro no negócio e só depois com o lucro, materializo o donativo.”

Porém, quanto mais os lucros aumentavam, mais o apego falava alto e eu não materializava o donativo. Passei a ir à unidade apenas às vezes, criando a minha própria programação, fazia o plantão às pressas, pois  chegava e saía na hora que quisesse achando que já não tinha tempo, colocando os meus negócios em primeiro lugar. Sempre que o responsável perguntava sobre a reoutorga, eu respondia: “Está quase, pai, já vou materializar.”

O tempo foi passando e o negócio crescendo. Decidi deixar uma parte com a minha filha de 13 anos, enquanto eu fazia os negócios maiores. Meses depois, a minha filha, que me auxiliava, começou a sentir febres intensas. Fomos ao hospital, onde, após exames e raio X, diagnosticaram líquido nos pulmões. Imediatamente, fomos transferidas para o Hospital Geral de Luanda. Lá, a doutora disse que ela seria operada. Aflita, liguei para o responsável, que me orientou a ter calma e a materializar um donativo especial para agradecer a purificação. Assim fiz. Após algumas horas, decidiram não mais operar e fomos evacuadas para o Hospital do Calumbo.

No Calumbo, ficámos internadas e o responsável ligava diariamente, pedindo que o meu esposo fosse materializar o donativo de gratidão. Orientou também que eu e a minha filha, durante a estadia, dedicássemos sempre que possível na limpeza do banheiro e pedíssemos perdão a Deus, ao Messias Meishu-Sama e aos Antepassados. A situação era grave: chegaram a drenar líquido dos pulmões duas vezes e à terceira vez, ela já não suportava a dor. Foram 25 dias de tristeza e angústia, com muitos gastos e os negócios foram por água abaixo.

Após cumprir a orientação, fizemos novos exames e a doutora disse que a minha filha estava fora de perigo. Após a saída do hospital, fomos agradecer com um donativo na unidade religiosa.

Como gratidão, fiz a abertura da ficha da minha reoutorga e assumi também o compromisso de materializar o donativo da outorga da minha filha. Estou novamente empenhada nas dedicações, mesmo vindo recentemente do hospital.

Aprendi que, a ingratidão nos leva ao abismo do sofrimento e que não há nada mais valioso do que a vida. Em primeiro lugar, está Deus e depois os nossos interesses.

O meu compromisso, é aprofundar na dor e no sofrimento das outras pessoas e ser participativa em todas as dedicações. Comprometo-me a cuidar das casas de outras pessoas.

Agradeço ao Supremo Deus, ao Messias Meishu-Sama e aos meus Antepassados, pela permissão de conhecer este maravilhoso caminho da salvação.

 

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