Por volta de 1940, Meishu-Sama, confidencialmente, começou a avisar Seus discípulos mais próximos que Tóquio poderia vir a ser reduzida a cinzas. Na época, Ele morava naquela cidade e desenvolvia a Obra Divina na forma de tratamento terapêutico.
Em 1941, começou a Guerra do Pacífico. Enquanto os japoneses estavam eufóricos com as notícias das espetaculares vitórias conquistadas, Meishu-Sama aconselhava insistentemente os membros a deixar as grandes cidades. Muitos seguiram Seu conselho e foram salvos do fogo, da fome e de muitas outras situações difíceis, sendo que a maioria tornou-se até mais próspera. Houve membros que não tiveram a oportunidade de ouvir o conselho e, mesmo assim, receberam uma grande proteção Divina, livrando-se de qualquer dano causado pelos bombardeios. Porém, alguns não deram ouvidos às palavras de Meishu-Sama e, lamentavelmente, acabaram perdendo a vida.
O que mais nos impressionou foi a tragédia que aconteceu com um reverendo de Tóquio. Meishu-Sama o alertou diversas vezes, aconselhando-o a se mudar assim que possível, porque ele morava num dos pontos mais perigosos da cidade. Contudo, ele sempre era evasivo, esquivava-se, parecendo não estar disposto a seguir o conselho. Acho que a última vez que o encontrei foi num hotel de Gora, em julho ou agosto de 1944, depois que Meishu-Sama mudou-Se para Hakone. Naquela altura, a maioria dos membros residentes em Tóquio já havia deixado a cidade, que estava sendo intensamente bombardeada pelos aviões inimigos. Quando perguntei a esse reverendo se já havia decidido se mudar, respondeu-me que estava procurando uma casa, mas que ainda não havia encontrado um imóvel do seu agrado. Lembro-me de como me intrigava o fato dele ser tão indiferente ao perigo que o ameaçava. Se realmente tivevse o sincero desejo de se mudar, já teria encontrado um lugar, mas acho que não era essa a sua vontade.
Pouco tempo depois, houve uma grande incursão aérea sobre o centro comercial de Tóquio. Como estávamos acostumados a ouvir relatos de membros que escapavam milagrosamente, não ficamos muito preocupados com a segurança daquele reverendo. Entretanto, ele não apareceu mais na sede em Hakone. Começamos, então, a pensar no que poderia ter-lhe acontecido. Soubemos, tempos depois, que ele foi dado como desaparecido.
Após ter mudado para Atami, sua filha mais velha veio nos visitar. Ela foi a única sobrevivente da família, pois havia se refugiado no interior. Com lágrimas nos olhos, contou que soube que toda sua família, incluindo seu pai, havia morrido queimada. Estava tão abatida que não tinhamos meios de consolá-la.
A trágica morte desse reverendo ensinou-nos uma valiosa lição: a palavra de Meishu-Sama é absoluta e o nosso futuro depende da maneira como a aceitamos. Se ele tivesse acatado dócil e imediatamente a orientação de Meishu-Sama, certamente não tería tido aquele fim. Ao ignorá-la, virou as costas para a sua salvação, cometendo uma espécie de suicídio coletivo da família.
Um servidor