“…basta que sejamos sinceros e não buscar a…”

20 de Junho, 2025

“…basta que sejamos sinceros e não buscar a…”

VIRGÍLIO ELIAS TAMELE
JOHREI CENTER MACHAVA BUNHIÇA
MAPUTO
MOÇAMBIQUE

Sou membro há 19 anos e dedico na Sede Central, no Sector de paisagismo e no Johrei Center Machava Bunhiça.

Conheci a Igreja Messiânica em 2004, encaminhado pela minha vizinha. Ela frequentemente levava flores e fazia orações em minha casa. Na altura, eu estava a passar por muito conflito, tanto em casa, como no serviço, vivendo em  desarmonia familiar e nunca me sentia em paz. Eu andava sempre revoltado e escrevia poesias muito agressivas sobre o que eu achava que estava mal na sociedade. Já tinha frequentado muitas igrejas, mas sem nenhuma delas despertar-me o interesse.

Chegado à Igreja, essa vizinha apresentou-me a um missionário, que  logo emprestou-me algumas publicações de revistas Messiânicas, bem como o livro Alicerce do Paraíso.  Eu estava curioso em perceber a origem da Igreja e quando soube que ela estava em mais Países, fiquei mais curioso e ainda mais interessado em ser esclarecido.

Entretanto, eu recebia Johrei com muita frequência porque sentia que o tempo na Igreja me afastava do conflito. Interessou-me logo a dedicação nas flores de luz e na Agricultura Natural. Passei a fazer arranjos florais no meu local de trabalho, ainda que sem nenhuma prática, o que permitiu que eu me conectasse com muitas pessoas e algumas começaram a frequentar a Igreja. Deste modo, achei interessante o poder da flor porque muitos colegas com quem eu não tinha nenhuma aproximação, passaram a conversar comigo, a ponto de partilharem e falarem dos seus problemas. Após receber bastante Johrei e verificar mudanças significativas na minha vida, decidi e tornei-me membro em 2006. Dali em diante, a situação foi mudando, pois alguns traziam flores para o serviço e outros partilhavam experiências com as flores. Ao falar sobre Ikebanas a alguns colegas Japoneses, eles ficavam curiosos e perguntavam-me como poderia fazer Ikebana sem flores em Moçambique,  até que certo dia, um deles veio me pedir para levar a Ikebana para a casa dele, porque eu tinha usado uma flor que lhe lembrava a sua mãe, com a qual não se comunicava há bastante tempo.

Gostaria de partilhar em seguida, a experiência de ser usado pelo Messias Meishu-Sama, para desenvolver um projecto na região mineira de Moma, Província de Nampula:

Quando lá cheguei em 2017, havia muita pobreza, apesar de estar lá instalada uma das maiores empresas mundiais, líder na produção de titânio, um mineral de grande aplicação na Indústria. O contacto inicial com as comunidades, me fez sentir logo a me comprometer a fazer algo diferente e eu pedia sempre, que Meishu-Sama me utilizasse para contribuir para uma melhor justiça económica para aquela comunidade.

Tive muitos desafios e questionamentos diretos, em algumas ocasiões, em público, mas acredito que com a força do Messias, pude enfrentá-los com toda a calma, incluindo meus superiores, Diretores dentro e fora do país. Sempre que viesse uma pergunta difícil, apesar de eu tecnicamente ter a resposta, eu me recordava do à vontade em que Meishu-Sama respondia às perguntas, sem nenhuma irritação e duma forma académica. Eu não hesitava em comunicar que os projetos que eu coordenava estavam direcionados a apoiar as comunidades e às economias locais e empenhava-me com toda a minha energia. Apesar de sentir muitas dúvidas sobre as minhas capacidades, a impossibilidade dos projetos terem sucesso, entre outros quase interrogatórios e negativismos permanentes em reuniões, eu mantinha-me firme, calmo e coerente.  A empresa acabou aceitando e abraçando as iniciativas e inundou as redes sociais com as valências do projeto.

Fortalecia as minhas crenças e energias lendo constantemente os ensinamentos de Meishu-Sama e como não podia distribuir flores, durante os fins de semana eu fazia longas viagens de bicicleta e distribuía canetas e lápis pelas crianças e mulheres indo e regressando das sua machambas, com o mesmo espírito que se distribuem as flores.

Em 2022, apresentei então o projecto de desenvolvimento de um parque industrial em Topuito, num espaço de 215 hectares, que inicialmente era uma machamba de mandioca e que depois foi minerada. Esta transformação era algo quase inédito, porque o normal depois da mineração era devolver às populações para voltarem a plantar mandioca, o que não trazia nenhuma vantagem económica. Iniciaram-se então as obras e estas terminaram num tempo recorde e sem custo nenhum para a empresa. Este passo foi amplamente duvidado com muita frequência. Faltava também a aprovação do Governo, o que levantou mais dúvidas se seria feito, visto que este desencorajava a aprovação de isenções fiscais para mais parques industriais. Contra tudo e todos, o Governo aprovou a criação do parque num tempo recorde, o que deixou toda a equipa boquiaberta, sem perceber que eu não estava sozinho, mas sendo utilizado pelo Messias Meishu-Sama.

Recebi perguntas diretas do Conselho de Ministros e esclareci as dúvidas que existiam.  Tivemos a primeira visita do Conselho de Administração da empresa em 2023, dentro do edifício do parque industrial já constituído e pela primeira vez, a equipa elogiou o projeto e a forma profissional e célere em que este foi desenvolvido. Tratava-se das mesmas pessoas que durante 24 meses, duvidaram da iniciativa fervorosamente. Trata-se do segundo parque industrial em Moçambique, numa Província e zona com pouco desenvolvimento.  Governadores, Administradores de Distrito, Ministros do Governo em geral, tomou pertença deste  projeto e neste momento, a mesma iniciativa está sendo espalhada por vários pontos do país.  Ainda hoje me admiro como Meishu-Sama pode atuar em disciplinas desta natureza.

O parque emprega nesta primeira fase, cerca de 500 colaboradores permanentes e investiram-se cerca de 4 milhões de dólares Americanos. Está em vista a construção de uma central elétrica, hoje estão estabelecidas cerca de 10 empresas, nacionais e estrangeiras e é um destino de empresas estrangeiras que entram no país directamente para aquele Distrito, entre outras vantagens que tanto colocam o distrito no mapa de atração de investimentos e criação de empregos. Trata-se de uma construção moderna, com todos os condimentos e condições arquitetônicas e ambientais, contradizendo o que acontecia antes deste projeto. As comunidades locais representadas pelo Governo Distrital estão representadas no empreendimento, o que é um marco duma relação sã entre os investidores e as comunidades locais.

Terminei as minhas funções no projeto e neste momento estou prestando assistência em iniciativas similares nas províncias de Inhambane, Tete e Cabo Delgado. Acredito que Meishu-Sama continuará me utilizando, para o estabelecimento de uma justiça económica para as comunidades nas áreas de mineração, através de investimentos que incentivam e integram cadeias de produção de produtos naturais num horizonte de cerca de 20 mil colaboradores de 4 empresas, mas não só abrange produtos naturais alimentícios, mas também mobiliário, de ornamentação e de olaria, entre outros produtos indígenas e biodegradáveis, que estão sendo integrados nas cadeias de consumo substituindo importações.

Quando juntei-me à empresa, eu sempre me  perguntava porque Meishu-Sama me colocou naquele lugar tão desafiador.  Na altura , as pessoas ainda faziam necessidades a céu aberto, entre outros sofrimentos.  Quando eu pedisse que Meishu-Sama me utilizasse, eu ganhava a permissão de adquirir sabedoria e quando eu me dirigisse aos meus Superiores, estes apenas obedeciam.  Sentia, nessas ocasiões, que  não era a minha força, mas uma força muito maior que eu, que estava a colocar as coisas na ordem. Fiz vários donativos diários de agradecimento, muitas vezes antes e depois de reuniões difíceis e para minha admiração, Meishu-Sama sempre respondeu e esteve presente.

Aprendi com tudo isso que, basta que sejamos sinceros e não buscar a vontade própria, ao invés de apenas querer satisfazer as nossas vontades e egos, normais de quem domina a parte técnica, Meishu-Sama estará presente. Venci o medo de pensar grande, quando se trata de assistir as comunidades e aprendi que as 3 colunas da salvação nos preparam para todos os desafios que encontraremos na nossa missão.  Aprendi ainda que, não há diferença entre o nosso trabalho e a dedicação, mas que depende de nós chamarmos a presença do Messias em qualquer lugar, função e dificuldade que encontrarmos.

Agradeço a todos que me receberam e me orientaram desde que entrei na Igreja, sendo Reverendos, Ministros, Professores de Ikebana, dedicantes nas colunas do belo e na agricultura natural, que sempre me apoiaram e me colocaram desafios.

A  todos que escutaram esta experiência de fé, o meu eterno agradecimento.

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