Sou missionário e dedico como encarregado das experiências de fé nesta unidade. Conheci a Igreja Messiânica no ano de 2000, por intermédio do meu pai.
Na altura, o meu pai disse-me que se eu frequentasse a Igreja, ficaria rico. Estas palavras me entusiasmaram e passei a frequentar a Igreja assiduamente.
Como também estava a enfrentar algumas dificuldades de aprendizagem nas disciplinas práticas da classe em que frequentava (8ª Classe), com o recebimento de Johrei e outras práticas básicas, tive melhorias na assimilação, consegui transitar de classe sem dificuldades e com excelentes notas, que me possibilitou a ir frequentar o Ensino Médio no Município do Soyo, província do Zaire, uma vez que a minha família não dispunha de condições financeiras para me matricular em Luanda.
Como no Soyo não existia uma unidade religiosa Messiânica, passei a frequentar a fé cristã, até que certo dia, isto é em Março de 2003, deparei-me com um senhor na rua que tinha o Ohikari. Ao indaga-lo, disse-me que era messiânico e que na verdade eles se reuniam em casa de um irmão todas as tardes, onde realizavam a marcha de Johrei. Desde aquele dia, voltei a frequentar a fé Messiânica e depois de quase dois anos, voltei a entoar a oração Amatsu-Norito. Em Junho de 2003, realizamos uma viagem missionária a Luanda e fomos outorgados cerca de 8 membros.
A experiência de fé que passo a relatar, está relacionada com a ingratidão.
Sou Professor de carreira há 20 anos e desde 2021, vinha trabalhando como Sub-Director Pedagógico numa Escola Pública do 1º Ciclo do Ensino Secundário no Kilamba Kiaxi em Luanda e em Janeiro do corrente ano, o meu Director foi nomeado para o Cargo de Administrador Adjunto de um dos Municípios recém-criados na Província de Icolo e Bengo, deixando livre o cargo de Director da Escola, e por inerência de responsabilidades, passei a responder como Director interino e Sub-Director Pedagógico ao mesmo tempo. Pelo conjunto de funções, meu nome foi proposto para ser nomeado a Director Geral da escola junto da Direcção Provincial da Educação. Foi nesse momento, que passei a enfrentar intensos conflitos no trabalho e cobiça no cargo de Director a que se havia proposto o meu nome.
Há algum tempo, eu já não tinha gratidão no dízimo e no donativo de construção. Se num mês desse o dízimo, não dava o donativo de construção e outras vezes, nem um e nem outro. Eu fazia muitas matemáticas, embora nunca falhasse no donativo diário. Dentro de mim dizia: “São muitos gastos. Tenho de dar o dízimo, o donativo de construção, donativo para as flores, para transporte e outros. E assim a pessoa fica com quanto?” Foi neste quadro que comecei a ter dificuldades no meu trabalho.
Como eu estava a responder interinamente pela Direcção da Escola, fui alvo de queixa junto da Inspecção Provincial da Educação, através de uma carta anónima, que referia que eu alterava as pautas, punha aprovados os alunos reprovados, que a Direcção cobrava dinheiro à mão das folhas de provas, de que eu encobria professores que não trabalhavam e recebiam salário todos os meses, de que eu acobertava professores que emigraram e eu dividia os salários com eles, enfim, tudo para dizer que a minha gestão na escola era danosa e logo não devia ascender ao Cargo de Director da Escola e nem devia continuar a exercer o cargo de Sub-Director Pedagógico. Fomos inspecionados no dia 1 de Julho do corrente ano, durante um dia inteiro, das 9h00 às 16h00, onde respondemos a uma série de questões e fomos apresentando as evidências contrárias à queixa feita e passamos a responder semanalmente junto da Inspecção Provincial e com a minha “cabeça” em causa como responsável máximo da Escola. Passei a ter problemas de insónia e desmotivação, pois eu achava que era uma acusação injusta e sem fundamentos e já tencionava colocar o meu cargo à disposição. Minha esposa não aguentava ver-me cabisbaixo, angustiado e triste. Ela dizia que, o que eu estava a passar deixava-lhe preocupada e se deixar o cargo era a solução do problema, então, o melhor seria eu escrever e pedir demissão ao cargo. Era tanta aflição, que fui pedir orientação superior. Relatei toda a minha angústia e a maneira como eu era ingrato nos donativos.
A minha orientadora ouviu-me com muita atenção, encorajou-me a voltar ao ponto inicial no tocante aos dízimos e donativos de construção. Fez-me entender que aquela situação foi criada por mim, pela minha ingratidão. Orientou-me a orar por todos aqueles que impunham barreira na proposta da minha nomeação, desde os inspectores e colegas de trabalho, pois eles eram apenas instrumentos na busca da verdade; a distribuir flores, abrir e cuidar de casas. Juntos oramos e materializei um donativo de pedido de perdão pela ingratidão, a desenvolver sentimento de gratidão por tudo quanto eu estava a passar.
Passei a fazer os dízimos e o donativos de construção corretamente, inclusive quando recebo o meu salário, antes mesmo de qualquer gasto, primeiro faço a transferência do valor correspondente ao dízimo e donativo de construção para a conta da Igreja e só materializo no envelope o Bordereaux, de transferência gerado pelo banco.
Com estas práticas, ficamos a saber que um dos meus colegas é que havia redigido uma carta anónima dirigida à Inspecção Provincial, pois ele desejava ser Sub-Director Pedagógico e já havia um nome proposto para ser director da Escola. Fizeram um inquérito na escola junto dos professores e demais funcionários, para saber da minha elegibilidade ao cargo e a maioria era de opinião de que eu devia ser o Director. Ficamos também a saber que toda aquela situação se levantou apenas como forma de encontrar um argumento a fim de impedir a minha nomeação.
Com o meu empenho no cumprimento das orientações, fiquei mais calmo e tranquilo e confiante na providência do Messias Meishu-Sama.
Após sensivelmente quatro meses, a nomeação vinda do Governo Provincial saiu e no dia 07 de Outubro do corrente ano, fui empossado ao cargo de Director da Escola. O meu Gabinete passou a ser também um espaço para ministração de Johrei aos colegas e alunos que me procuram para tratar de assuntos correntes.
Aprendi com esta experiência que, devemos manter a gratidão em primeiro lugar, sobretudo no dízimo e na construção, pois possibilita que Deus continue protegendo o nosso trabalho.
O meu compromisso, é de aprofundar cada vez mais, nas práticas básicas da fé messiânica e levá-las a toda comunidade escolar. Já pratico o dízimo e o donativo de construção correctamente, os donativos diários, peregrino aos locais de maior luz e estou a cuidar de uma família de pais e encarregados de educação.
Agradeço a Deus, ao Messias Meishu-Sama e aos meus Antepassados, pela permissão de conhecer este caminho de salvação.
Muito obrigado!
