Atualmente dedico como responsável do Johrei Center Capalanga.
Relatarei uma parte da minha experiência de fé, sobre como e quando conheci Meishu-Sama, bem como alguns desafios nesta senda.
Conheci a Igreja Messiânica Mundial, desde tenra infância, por intermédio dos meus pais. Anos depois, em entrevista com o meu pai apercebi-me de que ele conhecera a igreja em 1999, por intermédio de uma vizinha que acompanhava o seu sofrimento de lutas constante para conseguir um emprego digno e dar vida melhor à sua família. Para além disso, tinha maus sonhos e acidentes constantes. Em seis meses de frquência à igreja, mesmo com muitas dúvidas, conseguiu emprego, que mudou a realidade da nossa família. Como gratidão, ele tornou-se membro no ano 2000; em 2004, a minha mãe e boa parte da minha família paterna tornaram-se membros também. Foi aí que eu e os meus irmãos passamos a frequentar…
Quando completei 10 anos de idade passei a frequentar a igreja por livre e espontânea vontade. As dedicações que eu mais gostava de fazer eram o encaminhamento de pessoas, a partir da porta da unidade religiosa e as marchas de visitas às casas dos fiéis. Criei o desejo de tornar-me membro, mas o meu pai não deixava. Uma vez, enquanto escreviam as experiências de fé dos candidatos a outorga, mesmo sabendo que o meu pai estava longe disso, falei ao encarregado pelos candidatos que eu também era um deles e escreveram a minha experiência de fé, na esperança de que, com um empurrãozinho do responsável da unidade, o meu progenitor mudasse de ideia, todavia, nada resultou. Lembro-me dele dizendo as seguintes palavras: “filho, não fique triste, todos voês serão membros da igreja, mas ainda não é o momento certo; precisa se aprimorar mais…” Aquelas palavras não me consolaram, porque eu já tinha a concepção de que o Ohikari é o elo que nos liga a Meishu-Sama; portanto, pensava que os frequentadores não tinham proteção do Messias Meishu-Sama, até que vivi aquela que eu registei como o primeiro grande milagre na minha vida: em 2008, enquanto caminhava em uma estrada asfaltada, perdi noção do perigo e tentei atravessar sem ter o domínio dos automóveis que nela trafegavam. Fui atropelado por um carro (toyota corola, de cor preta). A viatura bateu em mim e avançou um pouco, ao ponto de eu ficar por baixo do carro. O curioso é que aquele episódio foi como a montagem de um filme, pois não tive hemorragia e não cheguei a fraturar nenhum osso, tampouco sentia qualquer dor. O meu pai, não acreditando, tirou-me toda roupa do corpo para ver se havia hematomas e constatou que estava tudo bem. Tempos depois, com a leitura dos ensinamentos percebi que eu ganhara uma nova vida e assumi o compromisso de servir Meishu-Sama a qualquer nível e lugar. Mesmo como frequentador, passei a marchar nas casas de outros frequentadores, acompanhado de um amigo meu que já era membro; ele ministrava Johrei e eu fazia orações, leitura de ensinamentos. Como eu estudava de manhã, depois que saia da escola, sempre que pudesse, ia em casa almoçar e dirigia-me logo à unidade religiosa… Fruto desta mudança de sonen, no dia 9 de janeiro de 2009, ganhei a permissão de ser outorgado o sagrado Ohikari!
Como membro, dei continuidade à minha dedicação, todavia, com mais actividades. Eu ministrava mais de 10 Johrei, diariamente, na unidade religiosa em casa e na vizinhança. Na nave havia uma senhora, frequentadora doente, que ficava todos os dias na igreja, afinal acompanhava a minha meta diária; quando conheceu a minha mãe disse-lhe: “este menino é seu filho? Cuida bem dele. Eu acompanho o que ele faz, todos os dias ele completa a sua meta de Johrei e só assim é que volta para a casa. O seu filho deve ter uma missão a cumprir”. Naquele dia tive o grande aprendizado de que, na nossa inocência, há pessoas que acompanham tudo o que fazemos e comecei a melhorar muita coisa na minha postura, que quando eu tentasse fazer, imaginava que talvez alguém estivesse a me observar. Consequentemente, deixei da fazer xixi na rua e quando comprava alguma coisa (rebuçado, bolacha etc.), após o consumo passei a colocar o lixo no bolso da calça ou da mochila e esperava depositar no lugar apropriado.
Quero ressaltar que, no dia seguinte da minha outorga (em 2009) ainda com 13 anos, já tinha recebido a tarefa de assistente do Grupo Terra. Em abril de 2010 (portanto um ano depois) ganhei a permissão de formar o meu primeiro membro. Nesse dia, a emoção era tanta. O meu candidato atrasou-se e o Encarregado pelos candidatos a membro já tinham saído com os demais. Foi naquele desespero, quando eu contava 14 anos de idade, que fui pela primeira vez, à Sede Central, de taxi, sem os meus pais. Na altura nós viviamos na Petrangol e a força de Vontade fez-me levá-lo até ao Futungo; na hora da cerimónia, eu queria ver qual ministro lhe colocaria o Ohikari e como eu era muito pequeno, subi em um banco e consegui assistir aquele momento emocionante… no meu interior eu dizia: Meishu-Sama, formar um novo membro é tão emocionante assim! Quero viver essa emoção várias vezes! Para além das marchas que se fazia em colectivo, pela unidade religiosa; já que uns estudavam de manhã e outros, de tarde, eu reunia os meus braços e marchávamos às 18 horas. Foi aí que eu decorei a oração Zenguen Sandji e através dessa dinâmica emergi de assistente Terra do Johrei Center para Encarregado Terra da área e passei a cuidar dos jovens de várias unidades religiosa.
Nessa fase atravessei várias dificuldades, mas eu nunca me desmotivava e interpretava-os como necessárias para o meu aperfeiçoamento na fé e o meu crescimento espiritual. Apesar das graças recebidas, meus pais e todos os outros familiares desistiram da igreja e eu era o único na Messiânica. Por muitas vezes eu saia de casa até a Mutamba a pé, para depois apanhar um autocarro (que na altura custava 30kz) para ir à Sede Central, muitas vezes sem comer; mas eu nunca sequer cheguei a perder um Culto Mensal ou Aprimoramento para Ministros e Missionários. Lembro-me também que eu ia dedicar ao Então Johrei Center do Sambizanga e ao Centro de Aprimoramento do Cazenga, nessas condições; os sapatos não demoravam por causa de tanto andar a pé, às vezes as solas abriam mesmo em meio a uma marcha. Diante dessas dificuldades que não faziam parar a minha dedicação, recebi proporcionalmente muitas graças de bens materias (roupas, calçados…), proteção divina e crescimento espiritual, acima de tudo, aumentava proporcionalmente a força para formar novos membros. Em 2017, para além dos jovens da área, passei a interinar como vice-Responsável do Johrei Center.
Vivenciei várias experiências de fé, contudo as indeléveis em minha memória são:
- No meu primeiro mês de membro, Uma vizinha estava com a sua filha, moribunda. Quando eram 4 horas da manhã, a senhora bateu a porta da nossa casa pedindo socorro. A minha mãe, acreditando no poder do Johrei convidou a senhora para receber a luz divina. Só que ela não havia despertadao os outros meus irmãos, que também eram membros e decidiu que seria apenas eu a cuidar daquele caso. Ministrei duas horas de Johrei e quando eram 6 horas da manhã, a criança recuperara totalmente e naquele instante, nos dirigimo ao Johrei Center (com a senhora e a bebé) a fim de agradecer o milagre e passaram a frequentar a igreja.
- Um bebé havia nascido com problema de cabeça aberta e já estava com três meses de vida. Passei a ministrar Johrei, todos os santos dias ao menino e no prazo de um mês, a cabeça fechou, até a data presente.
Dediquei como líder do grupo terra durante 10 anos (de 2009 a 2019) e nesse espaço de tempo, servi como instrumento de Meishu-Sama na formação de mais de 50 membros, individualmente.
Com o crescimento da equipa, passamos a desenvolver programas de estudos de ensinamentos com os jovens, criando vários temas do nosso interesse.
Como foi que eu tomei a decisão de servir integralmente à obra divina? Estudei um ensinamento do livro “O Pão nosso De Cada Dia” em que dizia que “Deus dá a cada pessoa uma missão que depende das aptidões a ela concedidas: umas servem salvando pessoas, ao passo que outras servem monetariamente. A elevação é comum a todos, mas cada um tem a sua missão. Ou seja, a missão é aquela que surge conforme a situação vai se delineando. Portanto, basta servir conforme as circunstâncias”. Eu já desconfiava que a minha afinidade era a salvação de pessoas; mesmo assim, falei para Meishu-Sama: por favor, mostra-me a minha verdadeira afinidade, que eu obedecerei sem contrariar. Assim, fui procurando emprego, mas também dedicava. Nesta época, eu já tinha concluído o Ensino Médio, estava com frequência univesitária e tinha alguns cursos Técnico-Profissional. Aparecia trabalho, mas as pessoas não me pagavam. Por outro lado, na obra divina as coisas iam muito bem, com bons resultados.
Em 2019 apareceu-me um emprego e fui obrigado a mudar de residência, saindo assim da casa dos pais. Consequentemente passei a dedicar em uma unidade religiosa do município dos Mulenvos. Dediquei como Vice-Responsável no Johrei Center da Vila Nova e pouco tempo depois, fui transferido para o Johrei Center Capalanga, como responsável da unidade. Como tinha muito trabalho a ser feito, desapeguei-me do emprego e dediquei-me apenas na expansão religiosa.
Eu residia num bairro de muita criminalidade e mesmo assim, saia de casa às 5h00 e só regressava depois das 19 horas. Quando as pessoas questionavam se eu não tinha medo, eu respondia que naquela hora me encontrava com muita gente indo trabalhar destemidamente; já que eu não vou trabalhar para mim e sim pela Obra Divina, Meishu-Sama deverá proteger-me. À medida em que passamos a observar mudanças na unidade religiosa, isso passou a refletir-se também em minha vida, até ao momento presente.
Atualmente estou casado, tenho uma família, não passo fome, ganhei a permissão de retomar a faculdade que outrora havia parado por dificuldade financeira, ganhei respeito e confiança dos meus familiares, um dos meus irmãos voltou a frequentar a igreja Messiânica e já se reoutorgou, outra irmã está a frequentar e já é candidata confirmada para a próxima outorga; tenho altar do lar e estou para receber Mitamaya. Em suma, não me arrependo da escolha que fiz e pelo meu novo estilo de vida sinto que foi a escolha certa.
Com esta experiência de fé aprendi que enquanto jovens, devemos conciliar o aperfeiçoamento material com o espiritual. E que, com a eliminação das nuvens espirituais, todas as nossas dificuldades são eliminadas.
O meu compromisso é peregrinar aos Solos Sagrados, com o sentimento de investir mais na minha espiritualidade.
Agradeço ao Messias Meishu-Sama pela permissão de despertar para a Obra divina. São extensivo a todos que directa ou indirectamente ajudam-me a crescer na fé Messiânica.
O meu muito obrigado, a todos que ouviram atentamente o meu relato de fé.
