“…que Deus nos concede tudo no momento certo…”

15 de Março, 2026

“…que Deus nos concede tudo no momento certo…”

EMÍLIA REBECA KAMBELA PRATA
NÚCLEO DE JOHREI DA BAÍA FARTA
NORTE-SUL
BENGUELA
ANGOLA

Tenho 31 anos de idade, sou natural da Província de Benguela e resido na Centralidade da Baía Farta.
Sou membro e dedico como missionária desta Unidade.

Conheci a Igreja Messiânica em 20 de março de 2018, por intermédio do meu tio em memória, membro da nossa Igreja. O que me levou a conhecer a Igreja, foram: a doença, a pobreza e os conflitos.

Ao chegar à Igreja, fui recebida pela plantonista que, após ouvir atentamente a minha situação, orientou-me nas práticas básicas. Assim que comecei a praticá-las, em pouco tempo, senti melhorias significativas, ultrapassando os problemas que me afligiam. Como forma de gratidão, tornei-me membro no dia 23 de Novembro de 2022.

A experiência de fé que passo a relatar, está relacionada com o donativo de esforço máximo, a limpeza profunda no local de serviço e a vivência da flor.

No final de 2024, fui orientada superiormente, a realizar difusão na Baía Farta. No mesmo período em que recebi essa orientação, fui agraciada com um emprego onde auferia um salário elevado. Fiquei então dividida entre continuar a trabalhar ou cumprir a missão que me foi confiada. Sempre que o superior quisesse saber se eu já estava pronta para ir à Baía Farta, eu respondia que ainda não, alegando que a minha patroa não havia pago o salário. No entanto, eu já tinha recebido dois salários e aguardava o terceiro. De forma inesperada, a minha patroa começou a manifestar comportamentos negativos, o que me levou a refletir profundamente sobre a missão recebida. Compreendi que aquela situação era uma advertência espiritual.

Mesmo com receio, questionei-me sobre como iria sobreviver financeiramente na Baía Farta, caso deixasse o emprego. Ainda assim, decidi desapegar-me do trabalho e, em Janeiro de 2025, dirigi-me à Baía Farta, ficando hospedada no bairro do Alto Liro, em casa de uma missionária. No mês de Fevereiro, iniciei uma purificação financeira e surgiu uma nova oportunidade de emprego.

Ao comunicar ao superior, este orientou-me a ir ao Altar, para eu perguntar a Meishu Sama qual era a verdadeira missão que me havia levado à Baía Farta. Confesso que, interiormente lamentei, pois desejava apenas uma resposta directa sobre aceitar ou não o emprego. Mesmo assim, fui ao Altar, mas não obtive resposta imediata. Com o passar do tempo, compreendi que a orientação era para não trabalhar naquele momento.

Outra pessoa foi colocada no emprego e as dificuldades financeiras intensificaram-se. Cheguei a ficar dois meses sem conseguir participar do culto mensal, sendo por vezes ajudada com transporte, pelo responsável da zona. Houve momentos, em que não tinha qualquer valor financeiro. Sentindo-me revoltada, fui ao Altar e questionei: “Meishu Sama, é desta forma que vou servi-Lo, faltando aos cultos mensais? Sinto que a minha missão terminou.”

Após essa oração, começaram a surgir casos difíceis de purificação para acompanhamento, principalmente nos bairros da Senga e Camunda. A distância entre o bairro Alto Liro, onde eu residia e a Senga, era longa. Não tinha dinheiro para transporte, calçado suficiente, nem alimentação. Mesmo assim, convidava alguns membros e íamos a pé, regressando também a pé.

O que mais me impressionou foi que, apesar das longas caminhadas, eu não sentia cansaço nem fome; sempre que precisasse de calçados, roupas ou alimentação, surgiam pessoas que me ajudavam espontaneamente. Diante disso, fortaleci a minha fé e disse a mim mesma que, se fosse dessa forma, Deus estava comigo e que seguiria a missão até ao fim.

No mês de Maio, encontrei-me com uma amiga da minha antiga patroa, que me informou que, em Agosto, ela mudaria para a Baía Farta e que eu passaria a trabalhar para ela, cuidando do seu filho de 8 anos, com folgas às Quartas-feiras, Sábados e Domingos. Apesar de procurar outros empregos, como não surgiram oportunidades, aguardei até Agosto.

Ao iniciar o trabalho, o horário era das 7 às 18h00, o que me ocupava quase todo o dia, permitindo dedicar apenas nos dias de folga. Mesmo assim, fui ao Altar e pedi a Meishu Sama que o trabalho não me afastasse da dedicação, pois compreendia que tanto o sustento financeiro quanto a dedicação eram importantes.

Em Outubro de 2025, fomos superiormente orientados, sobre a necessidade de se realizar o esforço máximo.

No mesmo mês, a minha patroa começou a purificar com fortes dores de cabeça, chegando a dormir em casa de vizinhos, alegando que a sua casa estava assombrada. Passei então a ministrar Johrei e a colocar flores na residência. No mês de Novembro, a minha patroa transferiu os filhos e regressou a Benguela. Em Dezembro, recebi a permissão para realizar o esforço máximo. Após fazê-lo, a minha sobrinha, que se encontrava internada em estado grave e sem esperanças de sobrevivência, recuperou milagrosamente. Nesse mesmo período, a minha patroa ligou-me informando que eu passaria a viver na casa da centralidade sem pagar nada, ficaria para cuidar da casa com direito a remuneração, continuando ela a pagar água e luz. Pela graça de Deus e Meishu-sama a casa fica mesmo ao lado da Igreja, o que me trouxe grande alegria.

Partilhei toda a situação ao responsável, que me orientou a materializar um donativo para agradecer a graça recebida, realizar uma limpeza profunda na casa, fazer a vivência da flor e a horta caseira.

Convidei a minha patroa para participar, mas inicialmente recusou. Para minha surpresa, no dia seguinte, por volta das 6 horas da manhã, ligou-me informando que iria com a irmã e a sobrinha, para participarem da limpeza.

Assim que chegaram, por volta das 9 horas, disseram que não iriam demorar. Antes de iniciarmos, peguei no meu donativo e expliquei que iria orar com ele e ofertá-lo na Igreja, convidando-as a fazerem o mesmo. A minha patroa afirmou não ter qualquer valor. Fizemos então a oração e iniciámos a limpeza.

Durante a limpeza profunda e após a vivência da flor, criou-se um ambiente espiritual favorável, o que levou as participantes a fazerem uma reflexão profunda e espontânea. Naquele momento, começaram a partilhar dores, mágoas e ressentimentos guardados há muitos anos.

A minha patroa relatou que, após separar-se do primeiro marido, conheceu outro homem, com quem realizou o alambamento e marcou a data do casamento. No dia do casamento, já com todos os preparativos feitos, o noivo abandonou-a no Altar. Tomada pela raiva e frustração, rasgou o vestido de noiva e desfez-se de todos os bens relacionados com aquele relacionamento, carregando desde então um profundo ressentimento. Partilhou ainda que, se separou do primeiro marido, ao descobrir que ele praticava feitiçaria, o que contribuiu para conflitos espirituais e emocionais na sua vida.

A irmã mais nova, relatou que carrega uma mágoa há 26 anos, desde que foi abandonada pelo primeiro marido, quando estava com apenas três meses de gravidez. Disse que até hoje, sempre que se cruza com ele na rua, não o cumprimenta. Partilhou também, que é a terceira esposa do seu atual marido, sendo que as duas mulheres anteriores o abandonaram após ele sofrer um acidente e perder o emprego.

A sobrinha, ainda jovem, partilhou que odeia o pai, apesar de nunca o ter conhecido, pois ele abandonou a sua mãe quando esta tinha apenas três meses de gravidez, ainda no ventre materno. Esse sentimento de rejeição, marcou profundamente a sua vida.

Após essas partilhas, todas reconheceram que carregavam ódio, mágoas e tristezas acumuladas e afirmaram sentir-se mais leves interiormente, assim como perceberam que a casa também se encontrava espiritualmente mais leve.

Apesar de dizer que não tinha dinheiro para o donativo, na hora do almoço, a minha patroa entregou-me 5.000 Kz para comprar gasosa. No final da dedicação, entregou-me ainda 2.000 Kz, pedindo que eu ofertasse na minha Igreja, valor que materializei na construção do Solo Sagrado.

Como a minha patroa é líder na sua Igreja, pedi-lhe que encerrasse a dedicação com a oração Pai

Nosso, o que prontamente aceitou. Saímos da casa por volta das 19 horas. Comuniquei este milagre ao responsável da zona, que me parabenizou e orientou-me a continuar a fazer as orações em todos os compartimentos da casa, informando-me que, a partir daquele momento, eu já poderia dedicar todos os dias. Até ao momento, encaminhei 46 pessoas, das quais 1 tornou-se membro e 5 encontram-se a frequentar a nossa Igreja.

Com esta experiência, aprendi que Deus nos concede tudo no momento certo, não aquilo que queremos, mas aquilo de que realmente precisamos.

O meu compromisso, é continuar a aprofundar na dor e no sofrimento das outras pessoas.

Agradeço ao Supremo Deus, ao Messias Meishu Sama e aos meus Antepassados, pela oportunidade de conhecer este caminho da salvação.

Faço dízimo, donativo de construção, donativo diário e tenho a horta caseira.

Muito obrigada!

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