A Luz da Inteligência

É costume referir-se à inteligência como sendo uma coisa única. Contudo, ela pode ser de vários tipos, apresentando diferentes níveis de profundidade, como explicarei a seguir.

Dentre as inteligências, as mais elevadas são: divina, do bem e superior. Para alcançá-las é preciso praticar fervorosamente a fé, porque tais inteligências só afloram a partir do sentimento puro e correto, que admite a existência de Deus. Portanto, se todo empenho e conduta forem embasados na inteligência do bem, tudo correrá satisfatoriamente, e a verdadeira felicidade será alcançada.

Em contraposição, estão as inteligências oriundas do mal, como a ardilosa, a astuta, a maligna, entre outras. Todos os criminosos possuem esses tipos de inteligência, e os que cometem crimes intelectuais, [1]como os golpistas, são os mais destacados. Assim, muitos dos heróis da história e dos que foram temporariamente bem-sucedidos, eram nada mais do que possuidores, em larga escala, dessas inteligências do mal.

É interessante notar que, quanto mais a inteligência for do bem, mais profunda ela é, e quanto mais for do mal, mais superficial ela se mostra. Isto pode ser comprovado claramente na história dos malfeitores desde as épocas remotas até hoje. Apesar de acharem que arquitetaram seus planos com perfeição, na prática sempre contêm alguma falha que se torna o motivo do fracasso, e acabam sendo descobertos.

Por conseguinte, se o ser humano almeja a prosperidade duradoura e não apenas temporária, é necessária a atuação da inteligência profunda. E esta aflora proporcionalmente à intensidade do makoto [2]. Portanto, é imprescindível ser uma pessoa de fé correta.

Se compreenderem essa lógica, fica fácil verificar a causa dos males sociais da atualidade. Isso se deve à superficialidade do pensamento do homem contemporâneo, observada, por exemplo, nos políticos de visão limitada que, só depois de ocorrido um problema, é que se apressam para tomar providências. Esse ponto é muito semelhante ao tratamento sintomático da medicina. Ora, todo problema surge porque existe uma causa e, de forma alguma, acontece por acaso.

Com inteligência superficial, não se conseguem antever as coisas, o que torna impossível estabelecer uma estratégia efetiva. Assemelha-se aos jogos de tabuleiro como damas e xadrez, nos quais o jogador experiente ganha a partida porque enxerga muitos lances subsequentes; e o inexperiente, obviamente, é derrotado porque não os prevê.

Neste sentido, o ser humano deve conscientizar-se de que, se não cultivar a inteligência do bem e não houver atuação da inteligência superior, nada ocorrerá com êxito. Deve igualmente saber que a fé é o único meio para cultivá-las.

30 de Janeiro de 1950

Alicerce do Paraíso vol. 3

[1] Crimes intelectuais: delitos cujos autores, premeditamente, utilizam a inteligência para concretizá-los. Exemplos: hackers, fraudadores.

[2] Makoto: palavra japonesa que possui significado amplo, podendo ser compreendido como: sentimento sincero e verdadeiro, comprometimento,
devoção e amor.

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