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Paraíso Terrestre

Quão agradável sensação nos traz a expressão “Paraíso Terrestre”! Além dela, não há nenhuma outra que inspire mais luz e esperança. No entanto, a maioria das pessoas considera o Paraíso Terrestre uma utopia, algo sem qualquer possibilidade de realização. Quanto a mim, estou convicto de sua concretização e sinto-a bem próxima.

Precisamos meditar profundamente no porquê da grande advertência do Santo Cristo de Nazaré: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus[1]”. Cristo, a principal figura do cristianismo, cujos ensinamentos influenciaram boa parte do mundo e constituíram a grande religião existente até os dias de hoje, não pode ter proferido palavras sem fundamento.

Creio que todos queiram saber o que seja o Paraíso Terrestre. Assim sendo, vou descrevê-lo como imagino.

Resumidamente, o Paraíso Terrestre é o mundo dos felizes, um mundo de civilização elevada, isento de doença, pobreza e conflito. Portanto, é nossa grande tarefa encontrar uma forma de transformar em paraíso este actual mundo em que a humanidade vive aflita em meio a inúmeros sofrimentos como a doença, a pobreza e o conflito.

Inicialmente, precisamos descobrir como eliminar a doença, uma vez que ela é a principal causa dos três grandes infortúnios. Em seguida, vem a pobreza, que também tem como causa primária a doença, enquanto a ideologia equivocada, a pobreza política, a organização social de ciente são causas secundárias. A ideologia que tende para o conflito, é motivada pelo estado selvagem de que a humanidade ainda não conseguiu se libertar. Por conseguinte, a questão fundamental é como eliminar esses três grandes infortúnios. Vou apresentar os factos mais simples que me zeram adquirir confiança na sua solução.

Para a surpresa de todos, aqueles que ingressam em nossa Igreja, à medida que seguem os seus ensinamentos, têm seu espírito e matéria purificados, tornam-se verdadeiramente saudáveis, conseguem libertar-se, pouco a pouco, da pobreza e tomam aversão ao conflito.

Inúmeros factos têm provado que a maioria dos fiéis, com o correr dos anos, está obtendo crescente felicidade.

Não aprecio salientar os defeitos alheios, mas permitam-me que eu faça referência às pessoas que, embora possuam fé, tombam nas garras de doenças graves ou sofrem com a pobreza, porém satisfeitas e contentes.

Comparando-as com os descrentes, pode ser que estejam salvas espiritualmente, mas somente o espírito está salvo, e não a matéria. Ou seja, a salvação foi feita pela metade. A verdadeira salvação deve abranger o espírito e o corpo físico. É preciso que a pessoa se torne saudável, livre-se da pobreza e sua família seja plenamente feliz. Até hoje, porém, todas as formas de salvação tinham o poder de salvar apenas o espírito. Sem opção, as pessoas resignavam-se, considerando que a fé se limitava à salvação do espírito.

A comprovação disso está nos religiosos que afirmam que a fé que busca graças recebidas nesta vida é de nível inferior. Trata-se de uma concepção estranha, pois não há quem não aspire à graças nesta existência. E ainda, se alguém se queixa dos sofrimentos da doença, é estranho dizer-lhe que o ser humano deve superar a vida e a morte. Ora, ninguém é capaz de tal superação. Admitir que conseguiu tal coisa é enganar a si próprio.

Um episódio relacionado à história do mestre Souho Takuan[2], monge zen-budista, é bem ilustrativo. Quando ele estava à beira da morte, cercado de pessoas, alguém lhe solicitou que redigisse suas últimas palavras. Deram-lhe papel e pincel, e Takuan escreveu: “Não quero morrer.” Imaginando algum engano, pois julgavam que um mestre tão notável não escreveria tal coisa, entregaram-lhe novamente o pincel e o papel. E o célebre monge, desta vez, escreveu: “Não quero morrer de jeito nenhum.”. Acho realmente admirável e nobre a sua atitude, pois, em igual circunstância, seria presumível escrever algo como: “Vida e morte: por que me preocupar?” O mestre, porém, abandonou todo o falso orgulho e revelou francamente os seus sentimentos. Isso merece consideração porque um monge célebre, comumente, não agiria assim.

Na sociedade, há muitas pessoas que, almejando salvar o próximo, fazem autopropaganda, apesar de ainda não viverem livres dos três infortúnios: doença, pobreza e conflito. A intenção pode ser boa, mas não é a forma ideal. Isto porque, somente após termos conseguido nossa salvação e felicidade é que devemos pensar em conduzir à fé outras pessoas que vivem uma vida infernal, para que também se tornem felizes como nós. Dessa forma, a divulgação surte cem por cento de efeito, pois os nossos semelhantes sentir-se-ão atraídos ao presenciar o nosso estado de felicidade. Eu mesmo não tinha coragem de difundir a fé messiânica antes de me encontrar em boas condições. Após ter sido abençoado com inúmeras graças Divinas e conseguido me tornar verdadeiramente feliz, tomei coragem para divulgar os Ensinamentos.

Se considerarmos que o Paraíso Terrestre é o mundo dos felizes, concluiremos que, no lugar onde as pessoas se reúnem e se tornam felizes, está estabelecido o Paraíso Terrestre.

Colectânea Assuntos sobre Fé, 5 de setembro de 1948

Alicerce do Paraíso vol. 5

[1] Mateus 4:17 (Bíblia de Estudo Almeida).

[2] Souho Takuan (1573–1646): grande expoente do zen-budismo, também foi conselheiro do xógum Tokugawa Iemitsu, bem como mentor de alguns dos maiores mestres de kenjutsu (arte marcial japonesa que utiliza a espada) da época. Seus escritos, chamados Fudochi Shinmyoroku (publicados em inglês como: e Unfettered Mind), são um tratado em três partes no qual ele aplicou a loso a zen-budista às artes marciais.

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