Creio que foi em 1948 que Meishu-Sama, certa vez, se expressou de modo muito interessante.
Lembro-me que, numa conversa com o repórter de uma revista, ele disse: “O sentimento do ser humano é como um pêndulo. Move-se incessantemente, de um lado para o outro, sem parar no meio. Meu sentimento também pende para a direita e para a esquerda, mas somente um pouco; o que é o ideal. A verdade é que nada neste mundo está absolutamente parado.”
Certa vez, uma pessoa foi designada para. servir chá a Meishu-Sama que, ao tomá-lo, disse: “Está quente!” Ela trouxe outro chá que, desta vez, por excesso de cuidado, estava morno. E foi advertida severamente: “Agora está quase frio. Desse jeito o chá fica horrível.”
A pessoa, então, fez o chá pela terceira vez, com bastante atenção. Temerosa pela advertência que receberia caso o chá ainda não estivesse bom, e preocupada com sua temperatura, chegando à porta, hesitou em servi-lo. O chá lhe parecia estar quente e, ao mesmo tempo, morno. Meishu- Sama, vendo-a sem saber o que fazer, disse: “Se você está hesitando, é porque o chá está no ponto certo. Traga-o.” Tomou e, satisfeito, disse: “Está bom. Não se esqueça deste ponto, sim?” Depois, disse rindo: “Talvez você ainda não tenha entendido o que eu quis dizer. Quando a pessoa costuma se colocar num dos extremos, ela não se dá por satisfeita enquanto não se posiciona em um dos lados. O mesmo ocorre com o sabor da comida. Se eu a acho muito salgada e chamo a atenção, da outra vez, infalivelmente, ela vem insossa. Por isso, tenho até receio de advertir as pessoas. Afinal, o que elas têm na cabeça?”
Perceber de imediato que, hesitando, encontrou o ponto certo, significa ter alcançado a sabedoria. Quem insiste apenas em querer saber se “está quente” ou se “está frio”, não passa de uma pessoa medíocre.
Um presidente da Igreja
Reminiscências Sobre Meishu-Sama vol. 5