Meishu-Sama começou a ficar com os cabelos grisalhos ainda jovem. Explicava que a causa da precocidade com que os seus cabelos ficaram brancos se devia ao uso dos fortes medicamentos tomados para as dores de dentes.
Até ouvi dizer que Nidai-Sama levou tintura quando se casou com Meishu-Sama na esperança de pintar o Seu cabelo. Chegou mesmo a consultar um médico que, ao contrário do que imaginara, fez os seus sonhos desmoronarem-se, dizendo: “Não é preciso, pois Ele fica bem com os cabelos brancos!”
No verão, Meishu-Sama costumava nos levar para nadar em vários lugares. Yokohama e a praia de Omori eram dois deles. Além disso, escalávamos montanhas com frequência. Junto com Nidai- Sama, estivemos em locais como Tsubakurodake e Yarigadake, entre outros.
No tempo em que vivemos em Tamagawa, Meishu-Sama cultivava arroz e flores. Refletindo sobre isto atualmente, creio que este cultivo, na verdade, fazia parte da investigação sobre o método da Agricultura Natural. Dessa época, ainda me lembro do como os cosmos floresciam no outono, formando um “tapete” de fores. Plantava também íris, vários tipos de rosas e, para além do extremo cuidado com o jardim, construiu um lago. Foi também nesta residência que Ele apostava corrida connosco e nos ensinava a andar de bicicleta.
Outro dos passatempos de Meishu-Sama era a fotografia. Comprou uma máquina fotográfica de fácil manuseamento que, a princípio, seria para nós, crianças, brincarmos. Mas quem acabou por ficar mais entusiasmado com o novo “brinquedo” foi Ele, que tirou inúmeras fotografias.
Após se mudar para Atami, Meishu-Sama passou a caminha regularmente ia a tantos lugares diferentes que, não ram acabava entrando em outras propriedades deixava apreensivos. sem querer, o que no
Caminhava durante cerca de duas horas diariamente e mais depressa que os filhos, vangloriando-se disso. Como gostava de observat as construções e jardins, acelerava o passo para poder ver o maior número possível deles. Conclusão: cansávamo-nos mais de que Ele e regressávamos ofegantes para casa.
Outra coisa que Meishu-Sama fazia com regularidade era opinar sobre as vestimentas de Nidai-Sama. Nenhum pormenor Lhe escapava, como a gola postiça do quimono, por exemplo. Chamava-lhe a atenção: “Isto não está a combinar.”
Nessa época, as golas eram bordadas. Assim, se alguma ficasse um pouco gasta, Meishu-Sama comprava imediatamente uma nova para Nidai-Sama. Como possuía um sentido estético bastante apurado, Ele tinha uma percepção muito maior do que as pessoas em geral.
Como Meishu-Sama não gostava de comprar roupas prontas para Nidai-Sama, Ele mesmo desenhava os seus quimonos e os mandava confeccionar numa loja especializada, chamada Miho, em Nihonbashi. Mas isso, naturalmente, foi antes do início da Sua vida religiosa. Depois já não havia condições para perpetuar caprichos como aquele.
Meishu-Sama também tecia comentários espirituosos sobre as nossas roupas. Se vestissemos algo preto, por exemplo, para parecermos mais elegantes, Ele dizia-nos algo do género: “Vestidas assim espantam até os maus partidos…” Para quem queria ser chique, este era um comentário muito irónico, por isso, quando encomendávamos um quimono ou uma roupa de estiloocidental, ficávamos preocupadas com a opinião de Meishu- Sama e só nos sentíamos aliviadas com a Sua aprovação.
Meishu-Sama era bastante divertido. Antes do nascimento dos filhos, costumava brincar com Nidai-Sama, falando: “As crianças devem cheirar a xixi. Quando nascerem as nossas, leva-as para longe de mim!”.
Nidai-Sama acreditava e ficava bastante preocupada. Mas quando nasceram os filhos, a situação foi totalmente outra: Ele mostrou- se um pai muito carinhoso e nunca reclamou sequer das fraldas
serem trocadas à Sua frente, o que retrata nitidamente o Seu
modo de ser.
Sandai Sama
Reminiscências Sobre Meishu-Sama vol. 1