Após a refeição matinal, quando sabia que iria receber visitas, Meishu-Sama tratava pessoalmente dos preparativos, trocando Ele próprio a pintura em rolo do tokonoma e confeccionando as vivificações florais. Procedia desta forma até com os professores de cerimónia do chá e de nagauta (tipo de música cantada) de Nidai-Sama, dispensando minuciosa atenção aos pormenores.
A cada dois dias, o barbeiro ia à casa de Meishu-Sama, sendo uma vez para cortar-Lhe o cabelo e a outra para fazer-Lhe a barba. No início, o barbeiro vinha de Tóquio, mas, devido a problemas de horário, foi dispensado. Assim, um barbeiro local, que era uma pessoa muito responsável, passou a servi-Lo até à Sua ascensão. Nos dias que ia à casa de Meishu-Sama, levanta-se às cinco horas
e, depois de se purificar, chegava ao Hekiun-so quinze minutos antes
do horário marcado.
Este barbeiro recorda: “Tinha o hábito de utilizar os melhores instrumentos que possuía quando ia a casa de Meishu-Sama. Assim, ao adquirir novos, de melhor qualidade, substituía os antigos. Um dia, Meishu-Sama perguntou-me: ‘A navalha de hoje é diferente, e a tesoura é nova, não é? Disse-o sem ter visto ainda os novos instrumentos, observação que só os profissionais, após um exame cuidadoso, poderiam fazer.
Enquanto o barbeiro Lhe cortava o cabelo, Meishu-Sama chamava um servidor para Lhe fazer a leitura de livros ou revistas. Preferia os temas relacionados com as Belas Artes, como Yamato Bunka, Tosetsu ou Hakubutsukan News, ou ainda publicações mensais sobre a arquitetura, caso da Kokusai Kentiku. Caso o servidor cometesse alguma falha durante a leitura, Ele corrigia-o de imediato. Ocasionalmente, ouvia os programas da rádio.
Nas manhãs em que não havia visitas, Meishu-Sama ditava geralmente Ensinamentos ou corrigia os que ditara na noite anterior.
Sandai Sama
Reminiscências Sobre Meishu-Sama vol. 1