Nos dias pares, a partir das dezanove horas, em que não havia exibição de filmes, Meishu-Sama dedicava-se a caligrafar Imagens da Luz Divina, Ohikari e outros. Durante esta atividade, Ele também ouvia rádio e, quando estava calor, de vez em quando, descobria um dos ombros.
Meishu-Sama realizava esta atividade durante aproximadamente uma hora e meia e a rapidez com que a desenvolvia era sobre- humana, pois escrevia de cem a duzentas Imagens da Luz Divina ou de seiscentos a setecentos Ohikari numa hora. Por isso, os três servidores que O auxiliavam também precisavam de ser ágeis, ajustando o ritmo e executando a tarefa em perfeita sintonia com Ele, que costumava afirmar: “Esta é uma verdadeira linha de montagem.”
Se se considerar que eram cem letras escritas com uma rapidez incrível, é possível comparar a Sua performance à velocidade de um raio. Meishu-Sama explicava sorrindo: “Sou pela eficiência. Para chegarem ao meu nível, precisam de três anos!”
Era possível perceber muito mais do que vigor nas pinceladas das Imagens feitas por Meishu-Sama. Nelas ficavam impregnadas uma energia extraordinária e um amor infinito, que exerciam uma enorme atração. Certo calígrafo elogiou-as enfaticamente: “Ninguém conseguirá superá-las, mesmo exercitando-se a vida inteira.”
O Museu de Arte de Hakone acabara de ser construído nessa época e, após encerrar a realizaçãos das caligrafias, Meishu-Sama ficava lendo e desenvolvendo pesquisas sobre arte até às 21 horas. Os principais alvos desta atividade diária eram a coletânea The Eumorfopoulus Collection, de George Eumorfopoulus (1869 1939), Hakutsuru e Seizanso-Seisho, publicações dos Museus de Belas Artes de Hakutsuru e de Nezu, respetivamente.
Meishu-Sama lia também frequentemente enciclopédias sobre arte universal, o Taisho Meikikan (colecção de livros sobre os utensílios utilizados na Cerimónia do Chá), etc.
Sandai Sama
Reminiscências Sobre Meishu-Sama vol. 1