Orientação do Presidente da Igreja Messiânica Mundial de África – 5/04/2026

Orientação do Presidente da Igreja Messiânica Mundial de África – 5/04/2026

Culto Mensal de Gratidão de Abril de 2026 – Sede Central de África

Orientação do Presidente da Igreja Messiânica Mundial de África

Reverendo Claudio Cristiano Leal Pinheiro

5 de Abril de 2026

Bom dia a todos. Todos estão a passar bem? Feliz Páscoa para todos nós. Gostaria de agradecer, do fundo do coração, pela presença de todos, pelo esforço sincero de todos em prol da expansão da Obra Divina em nosso querido continente africano, na Rússia, em Cuba, pelo esforço sincero que cada um tem feito no dia a dia para levar o Johrei e os Ensinamentos do Messias Meishu-Sama, e, em especial, o esforço extra que todos têm feito na construção do Solo Sagrado de Cacuaco e nas demais construções por todo o nosso querido continente africano. Muito obrigado pelo dia de hoje.

Sei que para muitos não foi fácil chegar na Sede, choveu bastante ontem. Durante a oração, pedi a Meishu-Sama muita força para as pessoas que estão a enfrentar dificuldades devido às chuvas de ontem, por isso mais do que nunca é importante nossa prática diária da oração. Oração não só para as nossas preocupações, oração para o mundo nessa fase tão difícil de tribulações que o nosso planeta está a enfrentar.

Hoje, estamos juntos aqui, no nosso Culto Mensal de agradecimento do mês de abril, começando o mês na nossa Sede, recebendo bastante luz e bastante força. Estou muito feliz de poder estar com vocês aqui hoje, na nossa Sede Central. No mês de março, tivemos muitas atividades. Esse ano, como todos sabemos, estamos comemorando 35 anos que começou a difusão aqui em Angola pelo nosso saudoso presidente, o Reverendo Francisco. Dedicamos o mês de março às mulheres, homenageamos as nossas senhoras da igreja, as pioneiras e todas que estão a levar Meishu-Sama no dia a dia, durante todo o mês de março tivemos atividades especiais ligadas a elas.

No mês de março, também foi bastante movimentado para mim, no sentido de visitas. Tive permissão de retornar à nossa querida província de Cabinda, depois de 8 anos. Estive lá no mês passado e tivemos a permissão de inaugurar o Johrei Center 4 de Fevereiro. Parabéns aos nossos irmãos de Cabinda por essa unidade religiosa. Nossos irmãos estão fazendo um trabalho com muito amor, muito esforço, que permitiu inaugurar esse Johrei Center e estamos a avançar com a construção de uma unidade maior, vai ser o nosso Centro de Aprimoramento do Chimindele.

Muitas bênçãos, muitas experiências fortes com o Johrei que estamos a viver. No dia do culto da inauguração, foi um dia com muita emoção, tivemos a permissão de ter oito caravanistas da República do Congo Brazzaville que participaram da inauguração. Eles atravessaram a fronteira e graças a Deus entraram e saíram tranquilamente do país. Foi a primeira vez que os oito saíram do país deles. Eu fiquei muito emocionado deles terem peregrinado para essa atividade da igreja. Trocaram experiência com nossos irmãos em Cabinda e depois na volta também tiveram várias experiências marcantes na vida deles. Mas o que me tocou muito foi o esforço deles para saírem do país deles, de Brazzaville, para poder participar dessa atividade em Cabinda.

E lá em Cabinda visitei locais históricos, fazendo oração, levando flores, e fui visitar a primeira igreja Católica construída na província, que está em reforma devido a uma parte que desabou. Enquanto o ministro Veríssimo pedia permissão ao padre para nós fazermos a oração com a Ikebana, eu fiquei esperando, com o ministro Bento na estrada, olhando a construção. E aí apareceram quatro jovens, jovens mesmo, adolescentes. E os quatro se aproximaram de mim e começaram a falar comigo em inglês. Acho que pensaram que eu era americano (risos). Começaram a falar comigo em inglês, eu respondi para eles em inglês, começamos a conversar em inglês. Aí, de repente, eu comecei a falar português, e um deles disse, “Oh, you are Brazilian? Você é brasileiro?”, falei “Sou, sou brasileiro”.

Continuamos falando em inglês e eu perguntei: “mas como é que vocês aprenderam inglês tão bem?”, porque eles falavam inglês bem mesmo, os quatro. Ele: “Não, nós começamos a aprender sozinhos, aqui no bairro, estudando”. E eu falei: “Mas por que é que vocês começaram a estudar inglês?” Aí eles disseram: “Ah, porque vai ser bom para avançar nossa carreira profissional, no futuro”. Falei: “É, muito bom mesmo”. Eles perguntaram: “Mas e você, por que é que você fala inglês tão bem assim, se você é brasileiro?” Eu falei: “Eu era professor de inglês.” “Ainda é professor?” “Não, hoje eu sou missionário. Já não sou professor há muito tempo. Larguei no início da carreira para seguir a carreira missionária”. Ele: “Mas de qual igreja?” Falei: “Igreja Messiânica. Vocês, além de estudar inglês, para vossa carreira progredir, vocês precisam também conhecer o Johrei”.

Ele: “Mas o que que é Johrei?” Falei: “Johrei é isso aqui, ó. É a luz de Deus”. E comecei a ministrar Johrei neles. Aí um deles falou: “É, mas eu não tô vendo luz nenhuma” (risos). Eu falei: “Mas tá a sair. Você precisa experimentar, precisa receber”. Aí continuamos conversando, o ministro Veríssimo veio, pegou os contatos deles, ensinou como chegar à nossa igreja, e fiquei muito feliz depois de saber que um deles está a frequentar a igreja, graças a Deus e ao Messias Meishu-Sama. Então, nós precisamos ter essa vontade de apresentar Meishu-Sama para o maior número possível de pessoas. Toda oportunidade, vamos deixar o Johrei atuar. Plantar a semente através do Johrei. Mais do que minhas explicações, a Luz de Deus é que vai despertar a alma da pessoa. Uma semente foi plantada.

Dias depois me desloquei à província de Benguela, graças a Deus e ao Messias Meishu-Sama. Encontrei com os jovens de Cabinda, aí fui participar do Intercâmbio de Jovens em Benguela. Eu já não ia lá há três anos e meio, mais ou menos. Tive permissão de conhecer o polo agrícola da Canjala, que nós recebemos nesse período que eu fiquei sem visitar a província. É um polo muito bonito, na estrada nacional o nosso polo. Passando na estrada, depois que a gente colocar a placa não vai ter como se perder. Ali no polo da Igreja Messiânica nossos irmãos estão dedicando com muito amor, muito esforço. Também tivemos a permissão de reentronizar as imagens no Johrei Center da Cabaia, ficou muito bonito, com todo o amor que os fiéis colocaram na reforma que foi feita ali no Johrei Center.

E também, graças a Deus e ao Messias Meishu-Sama, no domingo, dia 22, se não me engano, foi feito o culto no Pavilhão 1º de Maio na cidade de Benguela, o culto do intercâmbio de jovens. Tivemos a presença de 1.581 pessoas nesse dia, dos quais 376 jovens de oito províncias de Angola que foram participar. Parabéns a todos por esse dia. Nesse dia, tivemos a permissão de outorgar 38 novos membros, 7 Shokos, 6 reoutorgas e uma imagem de Kannon. Foram experiências muito marcantes que nossos irmãos tiveram, foi um dia, uma atmosfera realmente paradisíaca. Deu para sentir uma nova fase na expansão não só na província de Benguela, mas a nível da nossa obra em Angola, na África, em particular no tocante à formação das nossas crianças e dos nossos jovens.

No dia seguinte, eu fui para o Centro de Aprimoramento, para poder encontrar com os responsáveis de unidade. Mas os jovens estavam lá, em particular os das províncias que iam retornar naquele dia. Pude conversar, encontrar com eles e cumprimentei vários filhos e netos de ministros, responsáveis, missionários. A maioria estava indo pela primeira vez na província de Benguela. Mas foi uma alegria muito grande ver a continuidade da nossa religião nos filhos e netos de pessoas que conheceram Meishu-Sama 20, 30 e poucos anos atrás, e que os familiares estão a dar essa continuidade. Como sempre digo, acredito que a maior herança que eu posso deixar para os meus filhos e para os meus netos é essa fé que nos liga ao Messias Meishu-Sama.

No dia do encontro no pavilhão lá em Benguela, eu fiz uma breve explicação sobre a religião messiânica, porque tinham muitos frequentadores, muitos primeira-vez, e autoridades. É muito importante nós sempre explicarmos para as pessoas quem é Meishu-Sama. Principalmente aqui na África, vamos falar de Angola em particular, que a maioria da população é de origem cristã. Então muitas vezes quando se fala da nossa igreja – mesmo aos jovens que eu encontrei em Cabinda, eu expliquei para eles também – a pessoa pensa que nós somos uma igreja que não aceita Jesus, que não acredita em Jesus, que “eles só acreditam no Meishu-Sama deles.” E eu expliquei que para nós, messiânicos, existe o Supremo Deus, Criador e doador de toda a vida.

E o Supremo Deus, Ele tem um plano, que se chama Plano Divino, de estabelecer um mundo ideal aqui na face da Terra. Esse mundo ideal Buda chamou de Mundo de Miroku. Jesus falou com o nome de Reino dos Céus na Terra. Outros deram outros nomes ao longo da história. Então, o Supremo Deus, Ele enviou Buda, Ele também enviou Jesus, e Ele enviou Maomé e outros fundadores também ao longo da história da humanidade, preparando a humanidade para esse momento que nós estamos a viver hoje. Por isso que no final do século XIX, Meishu-Sama nasceu, em 1882. O Supremo Deus enviou Meishu-Sama com a missão de concretizar o que os outros tinham profetizado.

Meishu-Sama não veio substituir Jesus no coração dos cristãos, ou Buda no coração dos budistas, ou Maomé no coração dos muçulmanos. Nós temos muitos membros muçulmanos também na Igreja Messiânica, em particular em Moçambique. Nós temos fiéis que a família, durante séculos, seguiu o islamismo e eles conheceram Meishu-Sama agora. E eu nunca disse a ninguém: “você é proibido de ler a Bíblia ou de ler o Alcorão”. Nós precisamos entender a missão de Meishu-Sama, que é a missão de Messias, de Salvador. Todos os outros profetizaram e nos prepararam para chegarmos até esse momento. Por isso é essencial essa nossa gratidão e respeito a todos os fundadores das religiões, sabendo a missão de cada um.

Meishu-Sama tem a missão de Messias, salvador da humanidade. Jesus tem a missão de Redentor. Redentor é quem pede perdão em nome de quem errou. Por isso que mesmo na cruz Jesus disse: “Pai, perdoe-os, eles não sabem o que fazem”. O Messias tem a missão de perdoar. Essa é a missão de Meishu-Sama. É isso que nós fazemos através da prática do Johrei. Cada vez que nós levantamos a mão e ministramos o Johrei, essa Luz do Johrei queima as máculas do espírito. Não é isso que nós aprendemos? Mácula, na linguagem cristã, é o quê? São os pecados. Queima as máculas do espírito, queima os pecados que estão no espírito. Essa é a força do Batismo pelo Fogo, que é o Johrei. Ninguém trouxe o Batismo pelo Fogo antes de Meishu-Sama.

O próprio Jesus foi batizado na água, porque o mundo estava na Era da Noite, regido pela Lua. Todas as religiões têm a força da Lua, que é o que regeu o universo na Era da Noite. Agora nós entramos na Era do Dia. A partir do dia 15 de junho de 1931, começou a transição da noite para o dia no Mundo Espiritual. Por isso nós estamos nos preparando para o culto do dia 15 de junho. É uma data importante para a humanidade. Hoje nós messiânicos comemoramos, no futuro, toda a humanidade vai comemorar. Por isso é muito importante nós nunca termos vergonha de perguntar sobre as dúvidas que tivermos. Eu nunca tive vergonha de perguntar para os meus professores as dúvidas que eu tenho. Tinha colega que dizia: “Ah, você pergunta muito”. Eu falei: “Desculpa, eu sou burro, eu tenho que perguntar”. “Você é inteligente, não precisa, eu sou burro mesmo, por isso que eu pergunto”.

Eu pergunto. O que eu não entendo eu pergunto. É melhor ser burro e perguntar do que ficar burro a vida inteira. Então, eu sou burro, pergunto, aprendo. Para não ficar burro a vida inteira. Mas tem pessoa que não pergunta. Aí fica cheia de dúvida. Aí chega lá o Satanás com a forma bonita, palavra bonita, fala as besteiras no ouvido, você vai. Então tem dúvida, pergunte, esclareça, porque Meishu-Sama fala: a dúvida é o princípio da crença. Mas nós precisamos tirar a dúvida praticando. Praticando. E aí entra esse mês de abril, no nosso calendário de 35 anos da igreja. Esse mês de abril é dedicado a todos os nossos pioneiros da religião messiânica em Angola, na África e no mundo.

O ministro Jaime representou, hoje, não só os participantes que estão aqui, mas ele fez o ofertório representando todos os pioneiros da religião messiânica na África e no mundo. Uma salva de palmas para todos os nossos pioneiros. Sem o esforço sincero de cada um deles, nós não estaríamos aqui. Sem a entrega, mesmo sem ver, sem ter certeza, mas pelo milagre que receberam do Johrei, o empenho que cada um começou a fazer para levar Meishu-Sama, é que nos trouxe até aqui, é que nos trouxe até esse momento, da construção do nosso Solo Sagrado e da difusão mundial do Johrei e dos ensinamentos do Messias Meishu-Sama.

Nesse mês de abril, no próximo dia 14, vamos celebrar o culto de 16 anos do nosso pioneiro maior, nosso querido reverendo Francisco Jésus Fernandes. No dia 14, a partir de cada unidade religiosa, vamos levar flores, fazer limpeza em volta, com o sentimento de agradecer a existência dele, de dar continuidade ao que Meishu-Sama começou através dele. Graças a Deus e ao Messias Meishu-Sama, nós tivemos a permissão de ter a obra iniciada aqui, por uma pessoa muito especial na Obra Divina, o Reverendo Francisco. Muita gente lhe conhecia, dos cultos, das palestras, das atividades. E muitas vezes as pessoas pensam assim: “puxa, mas por que que ele conseguia fazer aquilo tudo, tocar o coração das pessoas? Despertar a gente para fazer, para praticar?”

Eu costumo contar uma experiência que eu tive com ele, que sempre me marcou muito. Uma vez nós estávamos num aeroporto, no Brasil. Eu estava tendo umas dificuldades com o check-in, e eu estava junto com ele. Aí veio um jovem que era funcionário da empresa. Encontrou com ele, cumprimentou ele e disse: “Oh, o senhor tá bem, como é que tá o senhor”, abraçou o Sensei e tudo. O Sensei falou assim: “Ele trabalha comigo, tá com dificuldade aqui”. Aí o jovem foi lá, conversou, resolveu o meu problema, fiz o check-in, agradeci, pude viajar. Aí, outra vez que eu estava no aeroporto, sozinho, eu encontrei de novo com esse jovem. Ele veio, lembrou de mim, eu também lembrei, nos cumprimentamos, e ele: “Oh, tudo bem?” Eu falei “Tudo bem”.

Ele: “Puxa vida, como é que tá o seu pai?” Eu falei: “Não, ele não é meu pai. É meu pai espiritual, mas ele é meu mestre, é quem me formou”. Ele: “Puxa vida, aquele senhor, quando ele chega aqui, nós podemos estar com todos os problemas, o inferno que tiver, só dele chegar já muda todo o ambiente. Só de a gente ver ele a gente já ganhou o dia. Já esquecemos nossos problemas e tudo, aquilo é uma leveza, é uma alegria…” Aí eu agradeci, falei: “é assim mesmo, todo lugar ele é assim”. Então, quando eu vejo aquilo, eu lembro o ensinamento que ouvimos hoje, o “Sabor da Fé”. Essa fé, que o Reverendo Francisco trouxe para aqui, essa fé fervorosa, que ele… não digo tinha, que ele tem, que continua viva. Isso é algo que ele construía através do que ele fazia no dia a dia.

Porque muitas vezes, tem a pessoa que ela trata bem alguém na frente do chefe. Mas quando o chefe tá longe, a pessoa trata mal os outros. O Reverendo Francisco, ele era um exemplo para nós. Ele tratava todo mundo com respeito, com consideração. Na rua, um desconhecido, o que quer que fosse. Isso é algo que cultivou. Por isso, muitas vezes quando falamos de fé, existe uma diferença muito grande entre adesão e conversão. Tem pessoas que vão aderir à Igreja Messiânica. Vai se tornar membro, missionário, ministro, reverendo. Ele aderiu à Igreja. E às vezes fica 10, 20, 30, 40 anos na Igreja. Mas não se converteu à fé messiânica. Existe uma diferença entre adesão e conversão. Conversão é quando transforma o meu interior. É algo que não é falso, fingido. É algo que vem de dentro para fora. Nós precisamos nos converter à fé messiânica.

Acho interessante estarmos falando isso hoje, dia de Páscoa. Páscoa, na teologia cristã, fala da ressurreição de Jesus, que é um renascimento. Mas a Páscoa não foi comemorada apenas quando Jesus ressuscitou. A Páscoa já era comemorada antes, pelos judeus. O Pesach, que é a libertação deles da escravidão no Egito. Ou seja, tanto na teologia judaica como na teologia cristã, a Páscoa fala sobre a libertação, o renascimento, transformação, a entrada num novo ciclo. Então nós precisamos nos converter à religião. É algo que vem de dentro para fora. É transformar o egoísmo em altruísmo, o materialismo em espiritualismo. Não é algo apenas para as pessoas verem. É algo que vem de dentro e que nos dá certeza que Deus existe, que Meishu-Sama existe, que existe um Mundo Espiritual.

Que não importa a dificuldade que eu esteja a viver: eu vou fazer o meu máximo, vou entregar na mão de Meishu-Sama. Eu sei que Meishu-Sama vai fazer o que é melhor para mim. Não o que eu quero. Meishu-Sama vai fazer o que eu preciso para a minha evolução naquele momento. Então, nós, nessa fase de Juízo Final, para nós ultrapassarmos o Juízo Final, Meishu-Sama fala bem claro: precisamos ter fé. Fé em Deus, no Mundo Espiritual, no invisível, é algo que precisa ser construído de dentro para fora. Gostaram do relatório do ministro Pacavira? Uma salva de palmas para ele. Quando eu li o relatório dele, eu estava a conversar com ele e com o ministro Faria. Nós estávamos a lembrar, há tantos anos atrás, aquela fase bem difícil do nosso país, em guerra.

Muita desesperança. Pessoas que nasceram e cresceram na guerra, naquela época nunca tinham vivido no país em paz, e estavam sem perspectivas. E mesmo assim, o nosso esforço, no dia a dia, como ele falou, para encaminhar, para cuidar de pessoas. E como eu falei, ele disse algo que eu acredito muito, que o verdadeiro milagre é essa mudança interior. Não é resolver um problema. Eu lembro, quando eu recebi uma delegação da igreja do Japão, que veio aqui para investigar os casos de ressurreição que tinham acontecido em Angola, porque tinham muitos casos. Eles vieram pra fazer investigação, de atender, de filmar, de perguntar. Aí quando eu os recebi na África do Sul, eles falaram assim: “Ah, mas… tantos casos de ressurreição… isso não chama a atenção da sociedade?” Falei: “chama, tem pessoas que despertam, é muito bom”.

Aí eu falei pra ele: “Mas, eu acho importante ver um milagre de ressurreição, mas para mim esse não é o maior milagre, não”. Aí o ministro: “Oh, como assim? Tem milagre maior do que ressuscitar alguém?” Eu falei: “Pra mim tem”. Ele falou: “Qual que é?” Eu falei: “É quando a alma da pessoa desperta”. Aí ele olhou para mim sem entender e eu continuei: “Quando a alma desperta. Pra mim é mais forte do que ressuscitar alguém”. Que eu já vi pessoa que ressuscitou e se afastou da igreja. Eu já vi pessoa que um ente querido morreu e a pessoa se entregou mais ainda na fé e na dedicação. O maior milagre é ganhar a convicção de que Deus existe e que a causa dos meus problemas está dentro de mim.

Que eu mudando, o que está à minha volta muda também. E aí eu me torno livre. Eu não julgo, não condeno ninguém, não culpo ninguém pelos meus fracassos e agradeço a Deus pelos sucessos que eu tenho, sabendo que não é força minha, é permissão e bênção Dele. E aí a gente vai tirando todo o nosso eu, nosso ego. Porque mesmo quando ele conta a experiência, quando eu fui a primeira vez e disse “leva as cadeiras pra fora, vamos encaminhar, vamos chamar.” Não é fácil. Vocês acham que todo mundo que eu já chamei veio tranquilamente? Eu também já fui xingado, minha mãe foi xingada mais ainda várias vezes. Coitada da minha mãe. Foi xingada várias vezes. “Você é isso, aquilo, você vai pro inferno, você tá, tá, tá…” Já ouvi desaforo… se eu for contar eu escrevo um livro dos desaforos. Mas deixa a pessoa falar.

Muitas pessoas eu encaminhei e eu trouxe. Quando alguém fala algo ruim de você, que você fica ressentido, é porque você tem muito amor-próprio. Você só quer ser elogiado. O ego é mais forte. Quando você não se preocupa com o que estão falando e você foca no que você tem que fazer, você tá centralizado em Meishu-Sama, no trabalho que você tem que fazer. Aí o trabalho flui. A maioria das pessoas não consegue avançar porque se preocupa muito com o que os outros estão a falar. “Não, mas essa vossa igreja é dos feiticeiros”. Puxa vida, que bom que a nossa igreja é dos feiticeiros, a maioria vai nos feiticeiros! A maioria frequenta o feiticeiro para resolver o problema. Ou não é? A maioria fala, tá com a Bíblia, tá com o Alcorão, mas quando tem problema, ele vai resolver no quimbanda. Ele vai resolver no quimbanda. Eu resolvo com Meishu-Sama. Então, quem fala que nós somos feiticeiros, é porque a própria pessoa que é feiticeira. Tá incomodada com a luz? Não podemos estar ligando para essas coisas. “Ah, a igreja…” Tá bom, deixa ele vir, vem, pode chamar o que for. Vem receber Johrei.

Uma vez, eu estava em Mbanza Congo. Tava fazendo distribuição de flor na rua. Também passaram alguns jovens, que estavam vindo da escola. Eu não entendo Kikongo, né? Mas eu vi eles apontando pra mim e falando: “Ndoki, ndoki”. Isso eu entendo. Então, estão me chamar de bruxo. Aí eu virei pra eles e falei assim: “Mono ndoki? Eu bruxo, não” (risos). Meus professores de Kikongo pelo menos isso me ensinaram. Aí eu falei assim: “Um ndoki trabalha escondido, eu tô fazendo aqui na rua na frente de todo mundo. Venham receber Johrei. Wiza, wiza”. Aí eles começaram a rir, aí um começou a empurrar os outros, eu ia ministrando o Johrei um por um. Aí um deles empurrou os três, no final eu falei: “você também.” Aí os outros empurraram ele, também recebeu o Johrei.

Nós precisamos ter essa vontade de levar Meishu-Sama pro mundo, como o ministro Pacavira falou. Essa pureza de fé dos nossos pioneiros. Esse sentimento de querer apresentar Meishu-Sama para o mundo. E o mundo não é quando a gente vai para outro país, não. O mundo começa na nossa casa, na nossa vizinhança. Tem muito membro que não ministra Johrei em casa, por vergonha, por sei lá o quê, por preguiça, e não tá apresentando Johrei em casa. “Ah, mas a família não aceita receber o Johrei”. “Espera aí, mas por quê que minha família não aceita?” Aí você tem que fazer essa reflexão. Eu aderi à Igreja, ou eu me converti à Igreja? Se eu me converti, o quê que mudou no meu comportamento em casa? Com a minha esposa, com o meu esposo, com os filhos? O quê que mudou no meu jeito de ser? Eu me tornei uma pessoa melhor pra minha família de casa? Ou na Igreja eu sou um anjo e em casa eu sou um demônio? A gente tem que fazer essa reflexão.

Mesma coisa quando falou dos vizinhos, o exemplo que ele deu da nossa irmã, foi pedir perdão na outra, que era rival, aquilo tocou as outras pessoas. Semanas atrás, eu vi o relato de uma jovem que ela encaminhou uma pessoa amiga do trabalho para a Igreja. E quando essa amiga chegou na igreja, perguntaram: “Por quê que você veio aqui, o que que te trouxe?” Aí a amiga chegou e falou pro missionário: “Eu vim aqui conhecer essa igreja, porque essa jovem é a pessoa mais maravilhosa que eu conheci na minha vida. A maneira que ela trata todo mundo na empresa, o respeito que ela tem por qualquer pessoa, eu nunca vi ninguém se comportar como ela se comporta. Eu quis saber onde é que ela frequenta”.

A jovem ficou toda sem graça, falou “não, não sou pessoa…”, “Não. A maneira que você trata todo mundo no trabalho, independente de quem seja. Você trata todo mundo com respeito, com dignidade, de uma forma que eu nunca vi ninguém fazer”. Isso que é a nossa difusão na Era do Dia. A difusão é o que nós somos, o que cada um de nós está se tornando no dia a dia. Tem pessoa que consegue encaminhar 10, 20 pessoas. Ao invés de agradecer, se torna vaidosa. E depois se afasta. Tem a pessoa que não consegue, se torna humilde, aprende e depois vai conseguir encaminhar. Mas sabe que não foi ela que encaminhou, Meishu-Sama que encaminhou e que fez através dela.

Essa diferença é que vai nos levar ao lugar de honra da fé. Cada um se converter, se transformar de verdade num verdadeiro habitante do paraíso, em alguém que se preocupa, de verdade, no dia a dia, em servir o seu próximo nas coisas simples do dia a dia, em casa, no trabalho. Ser exemplo, sem falar da religião que pertence, mas sua postura, como o Reverendo Francisco sempre foi e sempre mostrou para todos nós. Hoje, estamos a falar sobre isso, porque, com o aumento da Luz, aceleram as purificações. Acelera o processo de limpeza, de destruição. E nós temos que ter noção da nossa missão. Nós somos os braços de Meishu-Sama, para concretizar a salvação da humanidade e a construção do paraíso.

Para nós podermos enfrentar os desafios que Meishu-Sama colocou para nós hoje, nomeadamente, a construção do Solo Sagrado de Cacuaco e a difusão para toda a África e o Mundo, todos nós precisamos ser guiados por essa verdadeira fé. Precisamos sentir esse Sabor da Fé herdado dos pioneiros e que precisa estar aceso. Manter acesa essa chama da fé para Meishu-Sama poder atuar através de cada um de nós para superarmos os desafios que vão surgir daqui para a frente. O mundo vai entrar numa época cada vez mais de grande pavor, e nós vamos precisar estar firmes, para levantar a mão, para tranquilizar as pessoas e para apresentar Meishu-Sama para elas nessa travessia para o Mundo do Dia. E isso não vai ser num dia de dificuldade que a gente vai brotar, isso precisa ser cultivado.

Nossa diretriz, “cultivar uma fé que nos liga ao Messias Meishu-Sama”. Isso que cada um de nós precisa buscar cada vez mais, porque todos nós somos pioneiros na construção do Mundo do Dia. E sempre precisamos lembrar, essa construção começa no fundo do meu coração, no que eu acredito, no que eu aceito, no que eu planto todos os dias, através dos meus pensamentos, sentimentos, palavras e ações. Quando nós somos guiados assim por essa fé, nós vamos conseguir ser úteis a Deus e a Meishu-Sama. E Meishu-Sama só consegue proteger quem é útil, quem é utilizado por Ele para fazer o próximo feliz e para construir o Paraíso Terrestre.

Então, isso que eu queria passar para todos hoje, mais uma vez, muito obrigado, do fundo do coração. Vamos avançar com as nossas atividades, distribuição das flores, a limpeza nas casas, nas ruas, a expansão das hortas, a formação de produtores da agricultura natural e acima de tudo, vamos nos tornar eficientes ministrantes de Johrei. O mundo precisa cada vez mais de pessoas que ministram Johrei todos os dias e que diariamente estão apresentando o Johrei para quem não conhece e estão a dar assistência para quem já conhece, ajudando cada um, como o ministro Pacavira falou, a conseguir levar o Johrei para os seus vizinhos, para onde trabalha, para onde estuda, para onde frequenta. Isso é o que nós precisamos fazer, junto com o Messias Meishu-Sama, junto com nossos ancestrais e antepassados.

Muito obrigado, feliz mês de abril para todos nós. Muito obrigado a todos!

Reverendo Claudio Cristiano Leal Pinheiro

Luanda, 5 de Abril de 2026

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