A RESPEITO DA AGRICULTURA FAMILIAR

A RESPEITO DA AGRICULTURA FAMILIAR

Nos artigos anteriores, escrevi para os especialistas. A seguir, discorrerei sobre a agricultura familiar; em outras palavras, sobre a horta caseira.

Mesmo na agricultura familiar, é preciso utilizar uma grande quantidade de esterco, o que constitui uma prática intolerável para quem não está habituado.

Ademais, o mau cheiro entra em casa e se espalha não apenas durante a aplicação, mas também nos dias subsequentes, acarretando constante desconforto e tornando [o ambiente] insalubre. Só de imaginar o odor é extremamente desagradável, principalmente durante as refeições.

Se esse sofrimento gerasse bons resultados, talvez ainda fosse válido suportá-lo; mas, na verdade, é o oposto. Certamente, não existe maior tolice. Embora seja uma situação ocasionada pelo desconhecimento das pessoas, fico espantado com tamanha ignorância.

De acordo com os métodos da Agricultura Natural, o mau cheiro desaparece por completo. O manejo é limpo e higiênico; os produtos são bons, fartos e surpreendentemente saborosos. Não há qualquer preocupação com as pragas, nem com o risco de parasitas, e a cor das folhas e o formato dos caules são muito mais bonitos que os das plantas adubadas.

Assim, ao iniciar a Agricultura Natural, o cultivo passa a ser deveras prazeroso. Até então, longe de ser agradável, ele era, acima de tudo, penoso. A simples ideia de pensar no esterco espalhado pelo solo nos desencorajava pisar nele.

É frequente que agricultores familiares enfrentem os seguintes problemas: batatas pequenas, com má frutificação; constante queda das flores dos tomates e das berinjelas; nabos de baixa qualidade; pepinos secos por causa das pragas que afetam a raiz. Além disso, as folhas das verduras apresentam furos e nenhuma delas é perfeita.

Todos os casos referidos são provocados pelo uso de adubos artificiais, mas os agricultores familiares não percebem isso. Acreditam que o motivo é a falta de adubos e os aplicam em maior quantidade, o que piora a situação. Uma vez que não sabem a verdadeira razão, esses agricultores perguntam aos especialistas, os quais, por acreditarem na superstição dos adubos, não conseguem dar respostas satisfatórias. Consequentemente, não há como saber quantas pessoas no mundo enfrentam esse problema.

Portanto, se elas descobrirem o nosso método agrícola, quão salvas se sentirão? Seria como se ascendessem do inferno ao paraíso.

Comentários sobre a Agricultura Natural, em 15 de janeiro de 1951
Alicerce do Paraíso, vol. 7

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