O quotidiano de Meishu-Sama aqui retratado data dos Seus dois últimos anos de vida (cerca de 1953 a 1955), vividos no Hekiun-so, em Atami.
Por ter sido fundador de uma religião e liderado milhares de fiéis, é natural imaginar Meishu-Sama a viver enclausurado, sem qualquer contacto com o mundo exterior, dedicando-se exclusivamente à Obra Divina. No entanto, a Sua vida era aparentemente comum, não adotava qualquer tipo de prática ascética ou ritual de purificação. Assim, dentro de uma rotina simples, a sagrada e grandiosa obra de salvação da humanidade foi sendo empreendida sem qualquer interrupção, a uma velocidade incrível.
Como Meishu-Sama trabalhava em estado de perfeita união com Deus, em nenhum cômodo de sua residência havia a Imagem da Luz Divina ou outros objetos de cunho religioso. A Sua sala de trabalho, por exemplo, era muito simples. No tokonoma – local considerado nobre nas casas japonesas, com uma reentrância ocupando, geralmente, a extensão de uma parede na sala e numa altura mais elevada do que o piso, onde se recebem as visitas havia apenas uma vivificação floral, uma pintura em rolo de uma paisagem, uma mesa no centro, um rádio e uma estante num canto.
Meishu-Sama dizia sempre: “Não desviem os olhos de mim. Observem-me e dediquem-nos de corpo e alma.” Por isso, os servidores estavam sempre alerta, agindo com seriedade, aperfeiçoando a sua fé, atentos a todas as situações e sintonizados no Mestre.
Quando Meishu-Sama delegava alguma tarefa a um servidor, analisava primeiramente a sua capacidade e aptidão. Por isso, depois de a determinar, dizia: “Execute-a da melhor forma possível, utilizando toda a sua capacidade.” Se alguém, por exemplo, era incumbido de preparar a tinta-carvão para a caligrafia, Meishu-Sama exigia que se tornasse insuperável na execução deste trabalho. Costumava dizer: “Mesmo que não se torne alguém importante, torne-se capaz de cumprir exatamente o que lhe determinei. Se conseguir agir como lhe orientei, será um herói.”
Certa vez, um servidor atrasou-se nos preparativos para Meishu- Sama caligrafar os ideogramas da Imagem da Luz Divina. Quando chegou, Ele disse-lhe: “Eu incumbi-o de fazer apenas isso; portanto, pondo de lado qualquer outra coisa, faça-o de qualquer maneira. Após a sua conclusão, estará livre e nada direi, mesmo que vá dormir ou passear .”
Sempre que Meishu-Sama repreendia alguém era porque o pensamento e as atitudes da pessoa estavam em desacordo com os Ensinamentos e fora da lógica. Em síntese: não estavam em sintonia com Ele. “Observem-me e dediquem de corpo e alma”: estas palavras ensinam o espírito com que se deve realizar qualquer tarefa, estando o indivíduo sempre atento e prestativo.
Caso o pensamento se desviasse o mínimo que fosse, a pessoa já não conseguiria mais alcançar a plenitude dessa orientação. Por isso Meishu-Sama censurava severamente tais desvios. Devia- se trabalhar centralizado em Meishu-Sama porque Ele próprio mantinha-se centralizado em Deus, vivendo com harmonia e com um total controlo sobre o Seu dia a dia.
Meishu-Sama também era muito rigoroso com o horário. Não só por ter inúmeras ocupações, mas também porque ensinava os fiéis a cumpri-lo rigorosamente, como uma regra de conduta a ser respeitada. A Sua rotina era organizada com “a precisão dos ponteiros de um relógio”.
Sandai Sama
Reminiscências Sobre Meishu-Sama vol. 1