Na época em que a repressão sobre as novas religiões era muito rigorosa e estas não podiam ser praticadas livremente, os Cultos Mensais eram realizados sob a forma de encontros dos membros com Meishu-Sama. Assim, eram reservados dez dias do mês para esta atividade. No dia 1, Meishu-Sama concedia entrevistas aos ministros; os dias 5, 6, 7, 15, 16, 17, 25, 26 e 27 eram destinados aos fiéis em geral. Decorriam na Sede Provisória, situada no bairro de Sakimi, em Atami. Nestas oportunidades, Meishu-Sama dava amplos esclarecimentos sobre religião, política, cultura, entre outros assuntos da Sua escolha.
Aproximadamente até 1952, Ele respondia às perguntas que os fiéis formulavam por escrito. No entanto, nos Seus últimos anos de vida, Ele respondia de imediato às perguntas, que eram formuladas pelos membros, mas verbalizadas pelos ministros.
Um jornalista descreveu um desses encontros: “Assustei-me com o número de pessoas que havia no local quando cheguei ao segundo andar da Sede Provisória em Sakimi. Era um salão imenso, mas como nem todas as pessoas cabiam nele, haviam muitos na varanda. Eram mais de mil participantes de todas as idades: homens e mulheres que conversavam e riam alegremente. Parecia um salão de festas, aonde as pessoas iam para se divertirem, em nada lembrando uma atividade religiosa. Como não era membro da Igreja, mas um mero espectador, fiquei retraído a um canto.
De repente, uma voz anunciou pelo altifalante: ‘Vamos agora iniciar o Culto Matinal’. E todas as pessoas, que estavam completamente à vontade, sentaram-se corretamente.
O Culto era bastante simples. Todos entoaram, em uníssono, uma oração chamada ‘Amatsu-Norito’e, de seguida, um salmo em forma de poema escrito pelo Fundador.
‘O Fundador deve aparecer a qualquer momento pensei. Assim, prendi o fôlego e fixei o olhar na entrada à direita do tokonoma, onde havia uma imagem de Kannon pintada por Ele. Poucos instantes depois, a porta corrediça se abriu e o Fundador entrou. Todos fizeram uma reverência simultaneamente. Ele passou em frente ao público e foi até o púlpito, que se encontrava diante do tokonoma. Tratava-se, na verdade, de um tablado com aproximadamente trinta centímetros de altura, sobre o qual havia uma mesa redonda com um microfone.
O Fundador sentou-se numa cadeira atrás da mesa. Aί, ο Presidente da Igreja, que estava sentado na primeira fila, fez nova reverência e muito respeitosamente pediu: ‘Meishu-Sama, por favor, conceda-nos a Sua orientação”. O Fundador bebeu um gole de chá e falou: ‘Escrevi um artigo intitulado Desejo a consideração dos jornalistas. Gostaria de que o ouvissem.’
Um jovem, posicionado ao lado de Meishu-Sama, recebeu o manuscrito das Suas mãos e começou a lê-lo com outro microfone.”
Os encontros começavam às onze horas e duravam cerca de sessenta minutos. Os artigos lidos pelos servidores versavam sobre temas religiosos, críticas de arte, problemas da atualidade, etc., havendo também comentários de Meishu-Sama sobre o tema abordado. Por vezes, eram lidos textos humorísticos, de teor satírico, que faziam com que o Fundador se divertisse juntamente com os membros.
Sandai Sama
Reminiscências Sobre Meishu-Sama vol. 1