Meishu-Sama ia sempre dormir às duas horas da madrugada, interrompendo, por vezes, o que estava a ditar. Nessas ocasiões, dizia “Amanhã terminaremos” e encerrava as Suas atividades.
No dia seguinte, Ele dava prosseguimento ao trabalho, bastando eu ler as últimas linhas. Dizia: “Ah! Já sei!” e continuava a ditar imediatamente a partir do ponto em que interrompera na noite anterior. Quando, com um cuidado excessivo, começava a ler um trecho muito distante de onde Ele parara, advertia-me. “Não é necessário recuar tanto: basta ler uma ou as duas últimas linhas! Que desperdício de tempo!”
Assemelhava-se a um leitor de cassetes que fora desligado num determinado ponto e que, ligado novamente, continuava a partir desse mesmo ponto. Quando Meishu-Sama mencionava o título do Ensinamento, Ele já o tinha formulado na Sua mente, faltando-Lhe apenas enunciá-lo. Em momento algum, senti que Ele precisasse de parar para pensar no que ditava. Além disso, trabalhava com alegria e, simultaneamente, consagrava Ohikari, folheava livros sobre Arte ou retocava uma vivificação floral.
De vez em quando, acontecia de, no dia seguinte, surgir alguma coisa que O impedia de dar continuidade a um texto que, porventura, houvesse sido interrompido. Só que isso não era um problema, pois Ele continuava a ditá-lo da mesma forma três dias ou uma semana depois, bastando que, para isso, eu lesse apenas as últimas linhas.
Um servidor
Reminiscências Sobre Meishu-Sama vol. 2