“…diante das dificuldades, precisamos refletir sobre o…”

2 de Agosto, 2026

“…diante das dificuldades, precisamos refletir sobre o…”

VICTORINO CAMUNDONDA KAPELO
NÚCLEO DE JOHREI DA GANDA
ÁREA 5
BENGUELA
ANGOLA

Sou missionário e dedico como responsável desta Unidade.

A experiência de fé que passo a relatar, está relacionada com a prática da Agricultura Natural e o acompanhamento.

Tudo começou em 2021, quando decidi aprofundar na prática da Agricultura Natural. Nessa fase, a minha família enfrentava uma situação muito difícil; tínhamos problemas financeiros já há mais de 10 anos, passando a viver várias situações de fome em casa. Neste quadro, eu perguntava: Meishu-Sama, somos messiânicos há mais de 10 anos, por que estamos a viver desta forma? Conversei com a minha mãe para saber realmente qual era o seu verdadeiro compromisso na Obra Divina e depois, procurei saber o histórico das nossas terras, onde cultivávamos. A minha mãe explicou que, desde que adquiriram aquelas terras, nunca colocaram adubos, mas que, quando chegasse a época da colheita, após a recolha, queimavam todo o capim; eu disse, que essa era a causa do empobrecimento das terras, por isso não estávamos a ver uma boa produção. Apesar da fome que nós vivíamos, o quadro de saúde também não era favorável. Os filhos do meu irmão mais velho, adoeciam com muita facilidade, ou seja, mensalmente eles ficavam doentes. Para se ter uma noção, chegávamos ao ponto de extrema fome, ou seja, tínhamos apenas uma refeição por dia. Íamos à igreja, dedicávamos, mas à noite enfrentávamos o problema da fome. Este quadro perdurou por muitos anos. Foi quando, eu disse: Meishu-Sama ensina que a Agricultura Natural salva e temos ouvido várias experiências sobre o assunto; acredito que é o momento de colocarmos isso em prática. A minha mãe concordou e a partir do ano seguinte, decidimos que não iríamos mais queimar o capim, mas incorporá-lo à terra, conforme Meishu-Sama ensina. Realço ainda que, há mais de 20 anos que meus pais cultivam nessas terras, mas nunca tiveram uma colheita acima de 50 kg de milho, pois esta é a cultura que mais se pratica naquela região. Eu disse, se colocarmos em prática este método, a produção vai aumentar. Graças a Deus e ao Messias Meishu Sama, nesse ano, tivemos uma colheita de mais de 100 kg de milho. Com esse resultado, fiquei feliz e ela ficou bastante animada, incentivando-me a continuar. Gostaria de realçar que, apesar de ter uma família de agricultores, eu não me identificava com esta área. Eu via que o campo não era para mim e dentre os meus irmãos, eu fui o último a aprender a cultivar. De salientar que, na área onde nós cultivávamos, após a colheita, não colocávamos mais nada. Depois, passamos a colocar outras culturas como batata doce, couves, entre outros produtos. Os vizinhos ao redor, estranharam esta prática, dizendo que não iria dar certo, mas nós continuamos. Graças a Deus, depois de um ano, os vizinhos começaram a elogiar as nossas terras e passaram a seguir o mesmo exemplo; hoje, aquelas terras não ficam mais abandonadas por muito tempo após a colheita. Coloca-se outras culturas e tem ajudado as famílias a se manterem e a saírem da fome. Com esta prática, os resultados começaram a crescer, mas mesmo assim, a situação em casa continuava pois, apesar de colhermos o suficiente, a comida não demorava. Foi quando refletimos, que precisávamos agradecer pela produção, materializando um donativo de gratidão e de construção. Durante um ano com esta prática, graças a Deus e a Meishu-Sama, a fome em casa desapareceu. Hoje, conseguimos ter uma colheita que pode nos aguentar até a época a seguir. O quadro de saúde dos meus sobrinhos também melhorou bastante, com a alimentação natural; as nossas lavras, como também a horta caseira, têm servido não só para a nossa alimentação, como também para a casa do meu irmão mais velho. Hoje, na horta, nós produzimos várias culturas como: milho, batata doce, couves, alho, cebola, mamão, quiabo, entre outros. Começamos também a cultivar massambala; a minha mãe explicou que, nos anos em que cultivavam a massambala,  nunca tiveram uma colheita boa, não passando de mais de 100 quilos. Dois anos depois, com essa prática do cultivo natural, tivemos uma produção de mais de 320 quilos de massambala. Com todas essas mudanças, a nossa vida deu uma reviravolta. Os meus vizinhos despertaram para esta mesma prática e hoje conseguimos fazer a distribuição de sementes de batata doce aos outros vizinhos. No mês de Agosto do ano passado, recebi do ministro João Manuel Pacavira, semeantes de feijão ngando; ao chegar na Ganda, procurei semear, coloquei a primeira vez, não tive resultados; a segunda vez também, mas já na terceira vez, graças a Deus as sementes germinaram. Uma vizinha, após ver este mesmo feijão, ela disse, vocês comem este tipo de feijão? Respondemos que sim e ela disse, olha, este feijão não é comestível, pois na aldeia aonde eu cresci, usamos apenas para fazer cerco e para afastar os maus olhares. Explicamos que não, este é um feijão que os nossos Ancestrais já cultivavam e hoje nós estamos a voltar às nossas origens. É comestível e faz bem à saúde. Ela ficou impressionada com a explicação e disse que quando voltasse para a aldeia, iria explicar aos pais que, não poderiam usar apenas para cerco, como também para alimentação.

A segunda experiência de fé, está relacionada com o acompanhamento.

Recentemente, eu estava a passar por uma purificação e, por conta disso, fiquei uma semana em casa a receber assistência religiosa. Assim, comecei a refletir: “Meishu-Sama, estou a ter muitas dificuldades no cumprimento da minha missão. Não estou a alcançar os resultados desejados, será que esse é mesmo o caminho que devo seguir”? Na mesma semana, deparei-me com um amigo de infância que não via há muito tempo. Em conversa, explicou-me toda a sua trajetória, os sofrimentos que ele enfrentou e disse, hoje eu compreendo que tudo o que Deus fez para eu chegar até aqui, foi necessário para eu poder despertar. Isso tudo só foi graças a você. Eu perguntei por quê? Porque você tem servido de inspiração, não só para mim, como tantos outros nossos amigos, pois você hoje decidiu seguir o caminho religioso e isso tem se  refletido no nosso dia a dia. Dentro de mim, dizia: puxa vida, eu pensava em desistir e você vem me dizer isso?

Na mesma semana, quarta-feira, após o culto matinal, decidi conversar com um missionário, pois notei que ele estava muito abatido. Durante a conversa, ele explicou-me o sofrimento que estava a passar. Aí, percebi que eu precisava ajudar; naquele momento, ouvi uma voz dizendo: em vez de ficar preocupado com seus problemas, preocupa-te com o sofrimento dos outros. Fomos ao Altar e encaminhamos todo o sofrimento. Após a entrevista, ele disse, responsável, para além dos meus problemas, eu gostaria de relatar o caso de uma família que estou a acompanhar.

– Há três meses, abrimos uma casa pela primeira vez, onde encontramos um jovem que há  quatro anos padece  de distúrbios mentais. A família percorreu por vários caminhos como hospitais, casas de curandeiros, gastando somas avultadas em dinheiro; mesmo assim, não tiveram resultados. Em um dos curadeiros, disseram-lhes que o filho não tinha mais jeito, tendo a mãe ficado totalmente desesperada. Após vários dias, o jovem deixou de falar. Ficava trancado em casa e fazia as suas necessidades fisiológicas ali dentro, não queria ter contacto com ninguém. A mãe, para não pensar muito na situação do filho, começou a fazer uso de bebidas alcoólicas, aumentando ainda mais o sofrimento daquela família. Foi nesse quadro que a mesma senhora deparou-se com o missionário que coincidentemente, era parente seu; este passou a dar assistência religiosa com o Johrei e com três meses de assistência, o jovem que há mais de três anos não conseguia falar, começou a falar. Não aceitava sair de casa, começou a sair ficando no quintal, começou a se alimentar, o que não acontecia durante esse período. Mais tarde, falou para o missionário, olha, a minha aparência não está boa, preciso que você corte o meu cabelo. A mãe ficou em choque, pois durante esse período, nunca viu o filho naquele estado. Ela, os familiares e os vizinhos, ficaram admirados com essa mudança. Graças a Deus, o jovem tem melhorado bastante. A mãe também não mostrava interesse em receber Johrei, pois dizia que apenas o filho devia receber. Com esse milagre, ela hoje já aceita receber Johrei e os vizinhos também despertaram dizendo que afinal de contas esta Igreja cura.

Com estas ocorrências, aprendi uma vez mais que, diante das dificuldades, precisamos refletir sobre o nosso verdadeiro compromisso com Deus e Meishu-Sama, olhando para o sofrimento das outras pessoas, no sentido de ganharmos mais força no cumprimento da nossa missão.

Agradeço a Deus, ao Messias Meishu-Sama e aos meus Antepassados, pela permissão de conhecer este caminho da salvação.

Muito obrigada!

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