“…o significado da obediência, da prática da gratidão correta e de…”

12 de Setembro, 2026

“…o significado da obediência, da prática da gratidão correta e de…”

LULA ANTÓNIA
CENTRO DE APRIMORAMENTO DO KILAMBA KIAXI
NORTE-SUL
LUANDA
ANGOLA

Tenho 46 anos de idade, sou frequentadora e dedico como auxiliar do Grupo Lua e do Sanguetsu.

Conheci a Igreja Messiânica, em meio a grandes conflitos e dificuldades financeiras.

Vim da Província da Lunda Norte para Luanda, em busca de melhores condições de vida, mas enfrentei situações muito difíceis. Cheguei a ficar desabrigada, vivendo de casa em casa de favor, juntamente com os meus filhos.

Inicialmente, fui acolhida em casa do meu irmão. Alguns meses depois, porém, ele passou a incomodar-se com a prática da Flor de Luz em sua casa e proibiu-nos de frequentar a Igreja. Como eu não queria aceitar essa condição, acabou por nos expulsar.

Desesperada, procurei ajuda na Igreja. Os membros e a responsável não mediram esforços para nos apoiar com orações, Johrei e dedicação. Fui acolhida na casa de um pastor, mas, posteriormente, ele também condicionou a minha permanência, à frequência na sua igreja. Como não aceitei, fomos novamente expulsos.
Depois disso, fui acolhida por outra senhora, que também me colocou diante da mesma condição: ou frequentava a sua igreja, ou deveria procurar ajuda na minha.

Permaneci firme na minha fé e expliquei que, na Igreja Messiânica, o objetivo da ajuda é sobretudo espiritual, visando a salvação e a elevação dos nossos Ancestrais e Antepassados. Mais uma vez, acabei por ser expulsa. Posteriormente, uma irmã acolheu-me e alguns membros reuniram valores para ajudar no pagamento da renda da casa. Naquela ocasião, a responsável orientou-me a retirar uma parte daquele valor para materializar o donativo de construção e o dízimo. Confesso que, naquele momento, achei a orientação muito dura, porque o dinheiro arrecadado correspondia exatamente ao valor que eu precisava para pagar a renda e a senhoria já aguardava. Cheguei, juntamente com alguns irmãos, a fazer comentários negativos sobre a responsável, dizendo que a orientação não estava correta, mas mesmo assim, decidi obedecer.
Infelizmente, a casa para onde fomos era muito precária: construída de madeira já degradada, sem energia elétrica e com o teto danificado.

Para tentar suprir as necessidades da família, comecei por vender parte das minhas roupas e alguns objetos de valor. Porém, novamente fui orientada sobre a importância da prática dos donativos.
A nossa situação chegou a um ponto extremamente difícil. Passávamos fome, ao ponto de os meus filhos sentirem dores e de um sobrinho quase desmaiar de fome dentro da Nave.

Naquele momento, enquanto os irmãos pensavam que a criança estava doente e procuravam ministrar Johrei e fazer oração, tive de confessar à responsável que não se tratava de doença: estávamos com fome. Chegámos a passar três dias sem comer, sobrevivendo apenas com água. Para além disso, os meus filhos ficaram cerca de dois anos sem estudar por falta de condições financeiras.
Certa ocasião, uma irmã sensibilizada com a nossa situação, ofereceu-me algumas embalagens de água mineral para vender.

Assim, comecei um pequeno negócio. Fui orientada a, depois da venda, voltar à Igreja, mas, receosa de que novamente fosse orientada a fazer donativos, deixei de ir e continuei o negócio por conta própria. Com o dinheiro das vendas, consegui melhorar um pouco a nossa situação e pagar as propinas dos meus filhos, que puderam voltar a estudar.

Entretanto, essa fase durou apenas alguns meses. Entrei em repurificação e tudo começou novamente a bloquear-se. Parei de pagar as propinas, os meus filhos voltaram para casa, a renda ficou em atraso e o negócio acabou por falir.
Como se não bastasse, durante uma brincadeira, o meu filho mais novo atirou uma pedra que atingiu o vidro da viatura de um vizinho, quebrando-o. Era um vizinho muito temido no bairro, que passou a exigir diariamente, o pagamento do prejuízo, ameaçando levar-me à esquadra.

Sem energia elétrica, carregávamos o telemóvel na casa de uma vizinha; certo dia, ao ir buscá-lo, uma criança deixou-o cair e o visor partiu-se. Fiquei completamente desesperada, pois aquele telemóvel era o nosso principal meio de comunicação com os familiares que viviam longe. Frustrada, comecei a gritar e a culpar os meus filhos.

Naquele mesmo dia, porém, estava marcada uma peregrinação ao Solo Sagrado de Cacuaco. Mesmo triste e sem forças, decidi participar. Depois da dedicação, fui atendida pela responsável que, após ouvir-me, disse-me que aquelas dificuldades poderiam estar relacionadas com a minha desobediência no cumprimento das orientações. Fomos ao Altar e encaminhámos toda aquela situação nas mãos de Deus e de Meishu-Sama. Naquele momento, reafirmei o meu compromisso com a prática da fé.
Ao chegar à casa, para minha grande surpresa, a vizinha trouxe-me o telemóvel com o visor já substituído. Ela havia levado o aparelho ao mercado dos congolenses, onde fizeram a troca do visor.

Fiquei muito feliz, mas também constrangida com a situação. Por isso, pedi à vizinha que repartíssemos as despesas da reparação em duas partes. Porém, ela não aceitou. Com muita simplicidade, disse-me: “Vizinha, eu tenho observado o teu sofrimento, por favor, não se preocupe em devolver. Eu fiz isso porque fiquei com pena de si e a sua tristeza tem tocado o meu coração”. Fiquei profundamente emocionada e agradecida.
Depois daquela experiência, voltei à Nave e conversei novamente com a responsável.

Dessa vez, contei-lhe algo que ainda não havia revelado: Eu tinha guardado em casa 15.000 Kz, que estava a juntar para pagar a renda. Ao ouvir isso, orientou-me imediatamente a ir buscar o dinheiro. Pensei que talvez fosse para aumentar o capital ou iniciar algum negócio. Fui para casa, levei o valor e, ao regressar, fui orientada a materializar um donativo especial de construção do Solo Sagrado. Dessa vez, obedeci com gratidão. Aproveitei também para materializar um donativo de pedido de perdão pela minha negligência e desobediência.
A partir daquele momento, comecei a praticar o dízimo de tudo aquilo que chegava às minhas mãos; dessa forma, as graças começaram a manifestar-se de forma surpreendente. Familiares que há muito tempo não me procuravam, começaram a telefonar e a interessar-se por mim.

Certo dia, um vizinho perguntou-me por que vivíamos sem energia elétrica. Expliquei-lhe a situação. Para minha surpresa, disse que iria colocar energia elétrica na minha casa sem cobrar nada. Depois, duas vizinhas, sensibilizadas com a nossa situação, procuraram-me e disseram que os moradores haviam reunido para uma contribuição de 50.000 Kz para me ajudar a iniciar um negócio. Fiquei profundamente emocionada com aquele gesto de carinho, embora não tenha aceitado o dinheiro.
O proprietário do carro que anteriormente me ameaçava diariamente por causa do vidro partido, deixou de me cobrar. Hoje, quando nos encontramos na rua, cumprimentamo-nos normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Outra grande graça, foi a do meu irmão residente na Lunda-Norte, que me enviou uma quantia considerável, cujo valor foi suficiente para pagar a renda da casa, pagar as propinas dos meus filhos, comprar uma televisão com antena da ZAP, um sofá novo e ainda guardar algum dinheiro para iniciar um negócio. A transformação da minha casa também foi muito grande. Aquela que antes era uma das casas mais precárias e desprezadas da rua, tornou-se uma casa limpa, organizada e muito visitada. Hoje, os vizinhos entram com alegria e satisfação.
Também comecei uma horta caseira, onde cultivo produtos como tomate, couve e gimboa, todos saudáveis. Consigo ainda fornecer flores duas vezes por semana, colhendo mais de 100 semanalmente.
Outra vizinha ofereceu-me 400.000 Kz para iniciar um negócio trabalhando com ela. Não aceitei o dinheiro.

Durante mais de quatro meses, ela manteve o valor guardado, dizendo que continuava à espera da minha decisão. Essa mesma vizinha ajudou-me gratuitamente a tratar os documentos dos meus filhos. Hoje, eles já possuem os seus documentos e frequentam normalmente a escola.
Actualmente, também tenho um negócio de compra de feijão no atacado. Compro em Luanda e envio para a província da Lunda Norte, onde os meus irmãos fazem a venda e posteriormente enviam-me o dinheiro.
Hoje, a fome faz parte do passado; podemos não ter tudo aquilo que gostaríamos, mas temos as nossas refeições diariamente; hoje ainda, alguns vizinhos procuram oferecer-nos alimentos, embora muitas vezes já não precisemos aceitar.
Com o desejo de retribuir as graças recebidas, comecei também a dedicar-me na salvação de outras pessoas.

Encaminhei mais de 20 pessoas, acompanho 12, das quais, uma já se tornou membro e 9 frequentam regularmente a Igreja, tendo algumas delas começado a perceber mudanças positivas nas suas vidas, como o caso da minha nora, que veio para Luanda para tentar melhorar a sua vida através dos negócios, mas acabou por ser abandonada pelo marido. Ela começou a esforçar-se em cumprir as orientações, participar das orações do desafio, graças a Deus, o marido voltou a telefonar-lhe, passando a enviar-lhe dinheiro.
A minha filha também se tornou membro; começou um pequeno negócio, com a venda de gajajas, que apanhou numa árvore ao lado da Igreja. Quando obteve o lucro de apenas 2.000 Kz, decidiu materializar o dízimo. Depois disso, o negócio foi crescendo e hoje já possui um capital superior a 50.000 Kz, mantendo vendas regulares de produtos diversos e algumas vezes, ajuda nas despesas da nossa casa.

Através de todas estas experiências, compreendi profundamente o significado da obediência, da prática da gratidão correta e de que Meishu-Sama é verdadeiramente o Messias Salvador da humanidade.

Como forma de gratidão por tudo aquilo que recebi de Deus e Meishu-Sama, abri a minha ficha de outorga, com o desejo de contribuir para a construção do Paraíso Terrestre.

Agradeço profundamente ao Supremo Deus, ao Messias Meishu-Sama e aos meus Ancestrais e Antepassados, pela protecção, pelas graças e permissão de conhecer este caminho da salvação.

Muito obrigada.

Partilhar amor

Procura mais alguma coisa?

Relacionados:

Ensinamento do Dia
Reminiscência do dia
Ensinamento | Estudo Diário