Está Errado Dizer Que Os Honestos Saem A Perder – 1ª Parte

Há muito tempo, ouve-se dizer que as pessoas honestas saem perdendo. Refletindo profundamente, acredito que essas palavras influenciam negativamente as pessoas. Não haveria o que fazer se isso fosse mesmo verdade; porém, pela minha experiência, garanto que essas palavras não correspondem absolutamente à realidade. Senão, vejamos.

Quando observamos atentamente a sociedade, notamos que existem duas maneiras de ver as coisas: a curto e a longo prazo. Em geral, as pessoas tendem a julgar o bem ou o mal baseados em resultados de curto prazo. Por exemplo, ao verem o sucesso momentâneo obtido por pessoas desonestas, que enganam o próximo ou vendem gato por lebre, ficam iludidas e definem que os honestos saem perdendo. Todavia, é preciso que tais coisas sejam vistas a um prazo mais longo, pois, inevitavelmente, a farsa virá à tona, e aquelas pessoas passarão por humilhações, podendo-se até afirmar que acabarão arruinadas. Em contrapartida, ainda que por um momento os honestos sejam mal interpretados, prejudicados ou colocados em posição desvantajosa, com o passar do tempo, infalivelmente a verdade será esclarecida, e isso será determinante. Vou contar minha experiência a esse respeito.

É constrangedor falar de mim mesmo, mas desde jovem, sou muito honesto. Não consigo mentir de maneira alguma. Por esse motivo, sempre me diziam: “Um rapaz honesto como você nunca vai alcançar o sucesso. Se você não mudar seu pensamento e não for hábil em mentir, dificilmente será bem-sucedido na vida.” Achando que eram palavras sensatas, empenhei-me para mentir durante algum tempo, mas não me sentia bem. Era tomado por uma angústia insuportável, minha vida se tornava sombria e meus dias eram infelizes. Não havia, pois, condição para eu obter bons resultados em meus empreendimentos. Naquela época, eu era comerciante, de modo que as táticas de negociação e as mentiras deveriam trazer-me muitas vantagens. Todavia, eu não conseguia me sair bem e acabei decidindo voltar à honestidade, traço natural de meu caráter. O interessante é que, depois disso, os resultados começaram a ser melhores do que eu esperava. Em primeiro lugar, alcancei maior credibilidade no mundo dos negócios, tudo passou a se processar num ritmo excelente e, por algum tempo, consegui um patrimônio considerável. Assim, deixei-me levar pela empolgação e dei um passo maior que a perna. Nessa situação, quando me deparei com a crise do setor financeiro, sofri uma derrocada a ponto de não conseguir mais recuperar-me. Foi isso que me fez abraçar a vida religiosa. (…)

20 de abril de 1949
Alicerce do Paraíso vol. 1

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