Religiões e Milagres

Desde tempos remotos, costuma-se dizer que os milagres são inerentes à religião, o que realmente é verdade. Modéstia à parte, talvez nunca tenha existido uma religião com tantos milagres como a nossa. Em poucas palavras, eu diria que isso ocorre porque o Deus que a rege possui a posição mais digna e elevada.

Na sociedade, quando se fala em divindades, pensa-se que quase não existe diferença entre elas, e há a tendência de cultuá-las como se fossem iguais. Entretanto, precisamos saber que, até entre elas, existe uma hierarquia: superior, média e inferior. Em ordem decrescente, essa hierarquia, iniciando pelo Altíssimo, passa por Ubussunagami (40), chega até Tengu(41), Ryujin(42), Inari(43) e outros.

Gostaria de falar detalhadamente sobre essa hierarquia, mas assim eu estaria desvelando divindades de outras religiões. Portanto, por uma questão de respeito, não o farei. Desejo apenas mostrar, por meio de um exemplo, quão elevada é a posição do Deus que dirige nossa religião. Nem preciso dizer como o Johrei é maravilhoso, pois, com o passar do tempo, à medida que se torna conhecido, ele está se constituindo o grande fator da expansão da nossa religião. Aliás, sobre a cura de doenças pelo Johrei, muitos acham um mistério que ela ocorra mesmo que a pessoa duvide, receba-o apenas a título de experiência ou julgue ser impossível curar-se por meio de “uma tolice dessas”. Até o presente, em se tratando de cura de doença por meio de terapias religiosas, era corrente o pensamento: “Acredite desde o início. Não se pode duvidar.” Assim, é normal que, condicionadas a este pensamento, as pessoas achem isso misterioso. Vou explicar a razão.

Crer antes de ver algum resultado, na verdade, é enganar a si próprio. Querer que se acredite numa coisa antes de ter alguma prova é um contrassenso. Assim, é óbvio que isto está errado.

Empregar todos os esforços para crer porque nos foi dito para crer, produz algum efeito, pois isso é melhor do que duvidar. Tal efeito, porém, não provém de Deus: trata-se apenas da força pessoal de cada um. Por que motivo um pensamento tão errado veio sendo aceito como a coisa mais natural, até hoje? É que se desconhecia que essas divindades não tinham poder suficiente e supria-se essa deficiência com a força humana. Nesse sentido, em nossa religião, as pessoas se curam mesmo que duvidem. Isso se verifica porque a força de Deus é grande, não sendo necessário, portanto, acrescentar a força pessoal. Logo, se uma divindade não tem força suficiente para curar doenças, é porque seu nível é inferior.

Muitas vezes, quando as graças não ocorrem do modo desejado, os sacerdotes e os membros mais antigos dão a desculpa de que a pessoa não tem fé suficiente. Parece que eles acham que a graça é conseguida com o esforço humano, ao invés de ser concedida por Deus. Na verdade, Deus é infinitamente misericordioso; por isso, basta pedir que, infalivelmente, Ele nos concede a graça. Ao contrário, quando o ser humano se esforça demasiadamente e ultrapassa os limites, o verdadeiro Deus fica desgostoso. Principalmente fazer jejuns, abstinências e outros ascetismos é o que mais se distancia da Vontade de Deus, pois Seu grande amor abomina o sofrimento humano. Pensemos bem. Nós, seres humanos, somos filhos de Deus. Será que existem pais que se alegram com o sofrimento dos filhos? Ainda que a pessoa tenha conseguido receber uma graça por meio de práticas ascéticas, quem a concedeu não foi o verdadeiro Deus, mas alguma divindade maligna. Graças desse tipo não são duradouras. As graças concedidas pelo verdadeiro Deus são diferentes: à medida que nos dedicarmos à fé, nossos infortúnios diminuirão gradativamente, atingiremos o estado de paz interior e seremos felizes.

Em síntese: forçar as pessoas a crer a fim de alcançar graças é típico de religião de baixo nível; por outro lado, o fato de Deus conceder a graça, independentemente da pessoa acreditar ou duvidar, é a prova de que se trata de uma divindade de alto nível.

11 de abril de 1951

Alicerce do Paraíso vol. 2

 

(39) Título anterior: “Religião é milagre”.
(40) Ubussunagami: É o deus protetor de uma localidade, que se assemelha aos santos padroeiros na tradição católica. No Japão, ele se encarrega dos nascimentos, matrimônios e funerais daqueles que nasceram na respectiva localidade.
(41) Tengu: Ser mitológico, tem a missão de proteger as montanhas. O que ele mais aprecia é uma discussão; quando sai vencedor, sua posição espiritual se eleva. É orgulhoso, ambicioso, amante do jogo e também da pintura e da poesia. Seu maior prazer é a bebida. Nas pinturas e nas máscaras, ele é representado com nariz muito longo e com o rosto vermelho.
(42) Ryujin: Seres mitológicos conhecidos como “dragões”, que estão em constante atividade para o cumprimento de suas missões. Fenômenos naturais como o vento, a chuva, o relâmpago e outros, são atribuídos aos dragões, cujo objetivo é a purificação do espaço entre o Céu e a Terra. Os dragões grandes, médios e pequenos residem nos oceanos, nos mares, nos lagos, nos pântanos, nos rios, nos poços e até mesmo nos lagos artificiais, protegendo-os.
(43) Inari: Segundo uma lenda, para tornar fértil o solo do Japão, Deus ordenou a uma divindade que espalhasse arroz pelos quatro cantos do país. Na ocasião, essa divindade utilizou raposas para semeá-lo. Assim, a palavra inari significa “raposa que carrega o arroz”. Por esse motivo, a raposa é venerada como divindade em todo o Japão. Os agricultores sentem-se no dever de realizar-lhe cultos de gratidão e pedido de boa colheita. Inari é igualmente o nome de templo ou oratório onde se cultuam espíritos de raposa.
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