Julgamento no Mundo Espiritual | 1ª Parte

Enquanto vive neste mundo, o ser humano deve cumprir plenamente a missão e a vocação que lhe foram designadas por Deus em prol da humanidade. A maioria das pessoas, no entanto, enxerga apenas os aspectos exteriores das coisas e, inconscientemente, pratica ações subordinadas ao mal que se tornam pecados e impurezas e se acumulam em seu corpo espiritual em forma de nuvens. Assim, ao se tornarem habitantes do Mundo Espiritual após a morte, a eliminação dessas impurezas e pecados é realizada com todo o rigor.

Realizei minuciosos estudos e pesquisas por meio de médiuns, com um grande número de espíritos desencarnados. De tudo o que esses espíritos disseram, eliminei aquilo que parecia equivocado ou enganador, transcrevendo apenas os pontos coincidentes entre os muitos depoimentos que colhi. Por conseguinte, de modo geral, creio que não haja erro em minhas explanações.

Ao entrar no Mundo Espiritual, a maioria dos espíritos é conduzida a um local que, no xintoísmo, é denominado tyu’ukai[1] ou “Encruzilhada de oito direções[2]”; no budismo, ele é conhecido por “Cruzamento de seis caminhos[3]” e, no cristianismo, por “Mundo dos Espíritos”. Desejo chamar a atenção para um fato: o Mundo Espiritual do Oriente, de modo geral, é verticalizado, sendo que o do Japão é o mais verticalizado de todos, e o do Ocidente é horizontalizado. Por esse motivo, é que a sociedade japonesa é particularmente muito estratificada, e a ocidental é uma sociedade não hierarquizada e igualitária. O objeto de minhas pesquisas foi o Mundo Espiritual do Japão; portanto, gostaria que lessem cientes disso.

A “Encruzilhada de oito direções”, que citei há pouco, refere-se ao Plano Intermediário do Mundo Espiritual. Originariamente, o Mundo Espiritual é constituído de nove subplanos: três do Paraíso, três do Plano Intermediário e três do Inferno. Após a morte, o espírito das pessoas comuns vai para o Plano Intermediário; o espírito de quem foi benevolente sobe imediatamente ao Paraíso, e o do perverso cai incontinenti no Inferno.

Podemos ter mais ou menos uma ideia disso, observando a forma como ocorre a morte. Aquele cujo espírito vai para o Paraíso ou para o Gokuraku, sabe a data aproximada em que vai morrer e, nessa ocasião, não sente nenhum sofrimento; chama os parentes próximos e, com a maior naturalidade, expressa suas últimas palavras a cada um e morre em paz. Ao contrário, aquele cujo espírito vai para o Inferno, no momento da morte, agoniza em intenso sofrimento. O que vai para o Plano Intermediário experimenta sofrimentos de uma morte comum. A maioria dos espíritos vai para este plano, e podemos deduzir isso observando a face do cadáver. Aquele destinado ao Paraíso não apresenta nenhuma expressão de sofrimento e fica corado como se estivesse vivo. Já o que vai para o Inferno, tem a face escurecida ou esverdeada, com uma expressão de agonia. Finalmente, o que vai para o Plano Intermediário tem o rosto em geral amarelado, como é o caso da maioria dos cadáveres. (…)

5 de Fevereiro de 1947

Alicerce do Paraíso vol. 3

[1] Tyu’ukai: mundo do tyu’u. Tyu’u é um termo de origem budista que se refere ao período entre a morte e o retorno ao Mundo Material.

[2] Encruzilhada de oito direções: conhecido em japonês como ama no yachimata. Consta no livro sobre a história do Japão – Kojiki – como sendo o local intermediário entre o mundo dos deuses e o mundo dos seres humanos.

[3] Cruzamento de seis caminhos: em japonês, rokudo no tsuji. Segundo o budismo japonês, é um local que fica na fronteira do Mundo Material com o Mundo Espiritual. Nessa fronteira, há o entroncamento de seis caminhos: Inferno, Mundo dos Famintos, Mundo das Bestas, Mundo das Lutas, Mundo dos Homens e Céu.

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