O Que é a Verdadeira Salvação – Palestra (1) – 1ª Parte

Acredito que minha palestra é bastante original. Pretendo tratar de assuntos que nunca foram abordados. Até porque não haveria necessidade de eu vir de Atami até aqui para apresentar o que outras pessoas já disseram. Desejo expor aquilo que ainda não foi divulgado.

Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que as pessoas afirmam que a cultura da atualidade é avançada ou que estamos na Era da Cultura, confundindo, desse modo, os conceitos de cultura e civilização. Na verdade, cultura e civilização são coisas diferentes. Civilização é um mundo ideal, sem nenhuma selvageria. Já a cultura é o estágio intermediário da selvageria para atingirmos a civilização. Tanto que o ideograma ka (化) da palavra bunka (文化 “cultura”) é o mesmo utilizado para expressar algo provisório. Observando a humanidade de hoje, notamos que ela está fascinada por essa cultura, achando que ela é o que há de melhor e que, fazendo-a progredir, o mundo se tornará um lugar prazeroso de se viver. Contudo, o mundo civilizado a que eu me refiro, é diferente daquele que as pessoas têm em mente.

O que é a verdadeira civilização? Em poucas palavras, refere-se necessariamente a uma época em que a humanidade tenha toda a garantia de uma vida segura. Todavia, conforme o Sr. Suzuki(2) disse há pouco, hoje existem coisas realmente perigosas e temíveis, como a bomba atómica, as armas biológicas, o Juízo Final etc. Isso é terrível porque é uma época em que a segurança à vida está ameaçada. Isso não é um mundo civilizado. Hoje, estamos na era da cultura, isto é, na fase de transição da selvageria para a civilização.

O que vou falar agora não é sobre cultura, e sim, sobre civilização, ou seja, o que vem a ser isso. As doenças e as guerras são as que mais põem nossa vida em risco. Se vivêssemos uma época sem guerras e sem doenças, teríamos garantia de segurança à vida, e este seria o verdadeiro mundo civilizado. Já estamos na época em que devemos caminhar em direção a esse mundo. Daí a razão de ser do lema da Igreja Messiânica Mundial: a construção do mundo isento de doença, pobreza e conflito, lembrando que a guerra é o conflito em maior escala. A doença é a origem desses três infortúnios. Costuma-se entender como doença aquilo que provoca dores, coceira ou outras reações, interpretando-a sempre no sentido físico. Todavia, não é bem assim. Há dois tipos de doenças: doenças físicas e doenças espirituais. Dizem que, este ano, a disenteria, a tuberculose e outras doenças contagiosas aumentaram bastante e, por esse motivo, as pessoas estão amedrontadas. Entretanto, se hoje não se consegue sequer resolver as doenças físicas, não será possível formar um mundo civilizado nem mesmo daqui a centenas ou milhares de anos.

Quanto à pobreza, sua causa é a doença física. Experimente investigar o motivo da pobreza de uma pessoa. Invariavelmente, é a doença. São casos como a perda de emprego devido à enfermidade ou a impossibilidade de trabalhar pela mesma razão. A doença em si e mais a falta de recebimento do salário constituem uma dose dupla de sofrimento, que se reflete negativamente não só no próprio doente, mas também em parentes e amigos.

A causa das guerras também é a doença. Trata-se da doença espiritual. É comum utilizar a expressão “fabricantes de guerras”, para denominar aqueles que as causam e, observando a História, encontramos inúmeros exemplos. Esses indivíduos, que recebem o título de heróis, têm força e inteligência; mas, no fundo, sofrem de uma espécie de doença espiritual. Por essa razão, torna-se necessário erradicar não só a doença física como também a espiritual. Quanto à doença física, as pessoas acreditam que é possível curá-la através da medicina e se esforçam nesse sentido, mas não há nada que resolva a espiritual. Para isso, só existe um meio: a religião.

Poderão dizer que, na teoria, isso pode ocorrer, mas surge a dúvida: conseguir-se-á, na prática, erradicar ambos os tipos de doenças? Sim, através do Johrei, ao qual o Sr. Suzuki se referiu há pouco. O Johrei extinguirá as doenças físicas e espirituais. Dessa forma, surgirá o mundo civilizado.

Observando o estado em que se encontra a humanidade e a cultura, concluo que isto não é civilização. Pelo contrário, a selvageria aumentou enormemente. As guerras de hoje são muito mais terríveis do que as da época selvagem. Sendo assim, podemos afirmar que aquilo que atualmente se chama de cultura ou civilização – que é alvo da ilusão e gratidão da humanidade – na verdade, não passa da parte externa. Analisando seu conteúdo, veremos que é selvagem, ou melhor, semicivilizado e semisselvagem.

A impressão que eu tenho é que a cultura contemporânea assemelha-se a uma bela mulher, vestida com um bonito traje, mas que, quando tira a roupa, se revela corroída pela sífilis.

Por conseguinte, afirmo que a Igreja Messiânica não é apenas uma religião. Se fosse possível resolver os problemas do ser humano com a religião, eles já teriam sido sanados, pois, até o presente, apareceram importantes líderes e

fundadores de religiões, filósofos, grandes homens etc. É verdade que o ser humano progrediu e que restam poucos grupos que permanecem em um estágio primitivo. Ele conseguiu que tudo se tornasse mais belo e expressasse mais cultura. Todavia, ainda não foi possível garantir a segurança à vida porque as religiões que surgiram até hoje, não possuíam força suficiente. Elas tiraram a humanidade do estado primitivo e a conduziram à cultura, mas não conseguiram levá-la à civilização. (…)

Palestra de Meishu-Sama no Hibiya Public Hall,

Tóquio 22 de Maio de 1951

(1) Titulo Anterior: “Palestra ao público em Tóquio”.

(2) Shogo Suzuki, discípulo de Meishu-Sama e um dos pioneiros da expansão da Igreja no Japão.

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