Ultrarreligião

A maioria das pessoas toma por um sonho descabido o objetivo da nossa Igreja – construir um mundo sem doença, pobreza e conflito, ou seja, o Paraíso Terrestre.

Jesus Cristo anunciou que a chegada do Reino dos Céus estava próxima, mas não disse que iria construí-lo. Buda Sakyamuni afirmou: “Após a destruição da Lei Búdica, surgirá o Mundo de Miroku.” Não declarou que esse mundo estivesse iminente; ao contrário, ele estaria infinitamente longe: 5.670.000.000 (cinco bilhões seiscentos e setenta milhões) de anos. Os seguidores do judaísmo oram pela vinda do Messias, mas não sabem quando isso ocorrerá. Lendas da Índia transmitidas desde a antiguidade sobre o surgimento de Tenrin Bossatsu(14), a era do Pedestal do Néctar, da Igreja Tenrikyo, o Mundo de Serenidade e Paz, anunciado por Nitchiren, e o Mundo do Pinheiro, proclamado pela fundadora da Oomoto(15), são referências ao surgimento de uma era ideal, mas não foi indicado quando isso sobreviria. Devemos pensar profundamente no porquê de ninguém ter mencionado a época em que esse mundo seria concretizado.

Todas essas profecias foram de grande utilidade; mas, uma vez que não houve anúncio nem da realização nem do plano de execução, devemos interpretar que o momento ainda não chegara. Por outro lado, sabemos que os ensinamentos pregados e praticados pelos fundadores formaram a base de cada uma das religiões. Naturalmente, cada fundador criou e divulgou suas doutrinas, formas e métodos adequados aos diferentes povos e países. Evidentemente, as religiões foram criadas sob o desígnio de Deus, necessárias e próprias a cada época, localidade, povo, tradição, costume etc. Graças a isso, cultivou-se a harmonia, e a cultura alcançou o deslumbrante progresso que hoje apresenta. Não fossem as religiões, o mundo estaria à mercê do mal ou, talvez, destruído.

Se pensarmos assim, não é exagero dizer que os grandes feitos dos fundadores de religiões e seus seguidores merecem nossa mais alta consideração. Embora as religiões até hoje existentes tenham conseguido fazer com que se evitasse a destruição do mundo, permanece a dúvida: será que continuarão úteis para os mundos atual e vindouro? Uma vez que as religiões tradicionais não têm sequer força para salvar o mundo de hoje, fica claro que será impossível conter os sofrimentos infernais e muito menos elevá-lo ao estado paradisíaco. De fato, apenas alguns grupos sociais usufruem dos benefícios da magnífica cultura moderna. Podemos apontar como a causa disso a demasiada falta de espírito de harmonia e o incontrolável desejo de conflito.

Uma observação sobre o mundo contemporâneo faz com que as pessoas sensatas sintam a necessidade do aparecimento de uma grande luz que dissipe as trevas, isto é, da força salvadora de uma ultrarreligião. Nesse sentido, conscientes de que fomos incumbidos da responsabilidade de actuarmos como uma ultrarreligião, estamos apresentando resultados surpreendentes.

30 de janeiro de 1950

Alicerce do Paraíso vol. 1 pág. 26

(14) Tenrin Bossatsu: Conhecido também como Tenrin Jo-o em japonês ou em sânscrito como Cakravartin, é um termo usado nas religiões indianas para um governante universal ideal, que governa o mundo de forma ética e benevolente.
(15) Oomoto: Religião japonesa fundada, em 1892, por Nao Deguchi (1836-1918).
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