Manifestação de Espíritos de Seres Vivos – 1ª Parte

Certa vez, houve o seguinte caso. Falei a um universitário sobre espíritos, mas ele não se convencia. Como que me desafiando, disse: “Então, veja se estou com algum espírito me influenciando.” Imediatamente procedi ao exame espiritual e, não demorou muito, o rapaz entrou em transe e começou a falar com jeito de uma jovem. A manifestação era do espírito de uma mulher que trabalhava em uma casa noturna em Assakussa, aonde ele ia se divertir de vez em quando. A mulher se enamorara dele, e o espírito fez o seguinte pedido: “Faz tempo que ele não vem me ver. Gostaria que lhe dissesse para vir, pois estou com muita saudade.” Senti-me constrangido por ser solicitado para transmitir o recado de uma pessoa apaixonada, mais ainda pelo pedido ter sido uma manifestação do espírito de uma pessoa viva[1].

Logo que o universitário voltou a si, apresentava um semblante de quem não estava entendendo nada. Então, perguntei: “Como foi?” Ao que ele respondeu: “Não sei se entrei em transe, mas a verdade é que não me lembro de nada.” Quando lhe contei sobre o que a jovem disse, ele ficou espantado e envergonhado. Além disso, se deu por vencido e reconheceu a existência de espíritos.

Uma vez, quando fiz o exame espiritual numa jovem gueixa, manifestou-se o espírito de uma pessoa viva. Depois de lhe fazer várias perguntas, compreendi que se tratava do espírito de seu amante, que era proprietários de uma loja atacadista de açúcar. Ele disse o seguinte: “Combinei encontrar-me com esta gueixa hoje à noite; como surgiu um compromisso inadiável, peço-lhe o favor de dizer-lhe que só posso encontrar-me com ela amanhã.” Suas palavras e gestos eram de um homem de quarenta a cinquenta anos, o que não deixava margem de dúvida. Quando transmiti o recado à jovem, esta se espantou. Disse que entrara em transe, que não sabia absolutamente o que falara, mas que realmente havia combinado aquele encontro.

Uma ocasião, fui procurado por uma moça de mais ou menos vinte anos que me disse que lhe parecia estar com depressão e que estava achando o mundo muito sem graça. Eu lhe disse que não havia lógica uma pessoa de aparência tão sadia e tão bonita estar naquela situação e que certamente devia haver um motivo muito forte para isso. Então, após fazer várias perguntas, finalmente compreendi que a causa era um rapaz da vizinhança que se apaixonara por ela. “Ele tenta me conquistar por meio de cartas e de outras formas – disse a moça – mas eu não gosto dele e já o rejeitei por várias vezes. Entretanto, ele fica sempre perto da minha casa e, por medo, eu quase não saio.” Então, eu expliquei à jovem que o espírito daquele rapaz se manifestava nela. Sabendo disso, ela ficou mais tranquila, pois compreendeu que não estava doente. A partir daí, foi melhorando pouco a pouco até se recuperar completamente. (…)

25 de agosto de 1949

Alicerce do Paraíso vol. 2

[1] Manifestação do espírito de uma pessoa viva: É um fenômeno espiritual conhecido no Japão como ikiryo. No folclore japonês, um ikiryo é uma manifestação da alma de uma pessoa viva, fora de seu corpo. Tradicionalmente, se alguém mantém um rancor suficiente por outra pessoa, acredita-se que uma parte ou a totalidade da alma pode temporariamente deixar o corpo e aparecer perante o alvo de seu ódio, para jogar-lhe uma maldição ou prejudicá-lo.

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