Lojas Novas e Lojas Renomadas

Observando atentamente o comércio varejista, vemos que existem dois tipos de lojas – as novas e as renomadas. Como todos sabem, as lojas novas objectivam desenvolver-se amplamente e, por isso, são dinâmicas, mas ainda não ganharam a plena confiança das pessoas. Uma vez que estas desconhecem a qualidade das mercadorias e não sabem se os preços são razoáveis, com certa preocupação, compram nas novas lojas apenas a título de experiência ou para atender às necessidades imediatas.

Se a loja é renomada, sem hesitar, os fregueses depositam absoluta confiança. Para eles, se for tal artigo de tal loja, certamente será bom. Na incerteza, ao invés de comprar nas novas lojas, preferem comprar naquelas lojas que lhes inspirem confiança, ainda que tenham que ir mais longe. E se for uma grande compra, é ainda mais certo que se dirijam às lojas renomadas, pelo bom nome que elas possuem, construído após longo tempo de atuação no mercado. Em face disso, as novas lojas trabalham arduamente para conseguir atrair pelo menos algumas pessoas acostumadas a comprar nas lojas renomadas. Trata-se de uma situação que todos conhecem e, por conseguinte, dispensa maiores comentários.

O interessante é que, no campo das religiões, ocorre o mesmo. As dificuldades que uma religião nova enfrenta, são ainda maiores que as do comércio varejista. De antemão, ela é tachada de supersticiosa e falsa, ou até mesmo de fraudulenta. É realmente cruel. Existem, sem dúvida, muitas novas religiões às quais se possam atribuir esses adjetivos; porém, gostaria que soubessem que, ocasionalmente, surgem também religiões verdadeiras. Do mesmo modo, não podemos esquecer que todas as religiões ditas renomadas, no início, invariavelmente foram novas. Foi com o passar do tempo que, pouco a pouco, elas se tornaram conceituadas. Da mesma forma, as novas lojas, trabalhando e oferecendo mercadorias de qualidade a preços justos, um dia, também se tornarão renomadas. Diante disso, nota-se o quanto é errado rotular as religiões recém-surgidas como trapaceiras e falsas.

Pelos motivos expostos, creio que a correcta atitude dos críticos deveria ser analisar as novas religiões japonesas o suficiente antes de julgá-las como boas ou más, e só depois escrever a seu respeito.

30 de Março de 1949

Alicerce do Paraíso vol. 2

Título anterior: “Religiões novas e religiões tradicionais”.

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