Julgamento no Mundo Espiritual | 2ª Parte

(…)Falarei primeiramente sobre os espíritos que se destinam ao Plano Intermediário. Para chegarem lá, eles têm de atravessar um rio[1]. Antes da travessia, um encarregado examina-lhes a roupa; se esta é branca, o espírito passa, mas se é de outra cor, ele é obrigado a trocá-la por uma branca. Há duas versões: segundo uns, o espírito atravessa por uma ponte; segundo outros, não há ponte, e ele atravessa pela água. Contudo, estes últimos afirmam, ainda, que o rio não tem água e que as ondulações que se tem impressão de ver, nada mais são que os movimentos dos corpos de inúmeros dragões se movimentando.

Quando o espírito acaba de atravessar o rio, a veste branca apresenta-se tingida. Por meio da cor evidencia-se a quantidade de pecados e impurezas. Os espíritos que possuem pecados e impurezas em maior número, têm suas vestes tingidas de preto. À medida que essa quantidade vai diminuindo, a veste, seguindo a ordem, vai-se tornando azul, vermelha, amarela etc., sendo que a dos que têm menor quantidade, permanece branca.

Em seguida, de acordo com a versão budista, o espírito vai para o Fórum de Enma[2], ou seja, para o tribunal onde será julgado. O julgamento, diferentemente do que ocorre neste mundo, caracteriza-se pela imparcialidade, não havendo o mínimo de favoritismo nem de equívocos. Na hora do julgamento, os espíritos veem de forma diferente a face do juiz Enma Daio. Para os perversos, ele se apresenta com os olhos brilhando assustadoramente, a boca se abre até as orelhas e, quando fala, cospe fogo; só de vê-lo, os espíritos ficam atemorizados. Já os espíritos bons o veem com um semblante afável, sereno e, ao mesmo tempo, sóbrio, o que, naturalmente, inspira simpatia e respeito por ele.

Um por um, os pecados são refletidos em um espelho de cristal e julgados. O julgamento é precedido de uma investigação preliminar com base nos registros do livro do Enma. É dito que aqueles que são juízes neste mundo, têm a função de auxiliar do Fórum do Mundo Espiritual. E a supervisão dos mesmos é feita pelos deuses da purificação[3]. Enma Daio é a divindade que, no xintoísmo, é conhecida como Kunitokotati no Mikoto.

Após receber a sentença, cada espírito vai para o Paraíso ou para o Inferno. Portanto, o “cruzamento de seis caminhos”, como o próprio nome indica, é a encruzilhada para os três subplanos do Gokuraku ou para os três subplanos do Inferno. Os espíritos que foram sentenciados ao Inferno, fazem aprimoramento temporário no Plano Intermediário, visando à sua elevação espiritual. Aqueles que reconhecem os erros cometidos, se corrigem e retornam ao caminho do bem; ao invés de irem para o Inferno, vão para o Paraíso.

Nessa ocasião, tal qual ocorre no Mundo Material, o trabalho de orientação é realizado pelos capelães prisionais [4]das respectivas religiões, que, após o falecimento, recebem tal incumbência. No Plano Intermediário, o limite do período de aprimoramento é de aproximadamente trinta anos, e aqueles que não conseguem se arrepender e se corrigir nesse período, caem de fato no Inferno. Com relação aos pecados e às impurezas dos espíritos, quanto mais os familiares lhes oferecerem ofícios religiosos feitos de coração, com toda a sinceridade, ou somarem virtudes praticando o bem, ajudando o semelhante com amor e compaixão, a purificação do espírito será proporcionalmente acelerada. Por essa razão, a dedicação aos pais, a fidelidade ao cônjuge etc., mais do que aqui no Mundo Material, revestem-se de significado ainda maior após a morte. Em razão disso, os espíritos ficam muito contentes com os cultos em sufrágio que são oferecidos em sua memória.

5 de Fevereiro de 1947

Alicerce do Paraíso vol. 3  

[2] Enma: Nome dado pelo budismo ao juiz do Mundo Espiritual, Enma Daio, que faz o julgamento dos espíritos após a morte.

[3] Deuses da purificação: Em japonês, haraido no kami. Segundo o xintoísmo, são quatro divindades responsáveis pela limpeza espiritual dos ambientes.

[4] Capelães prisionais: São sacerdotes encarregados de mostrar aos detentos seus erros de conduta e guiá-los em sua reforma interior em direção ao caminho do bem.

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