Bobo, o Autêntico Bobo

Quando Meishu-Sama morava em Omori, fiquei em sua residência por algum tempo e, naquela época, ele tinha três empregadas. Mesmo assim, não levava uma vida de luxo, e seu desjejum era constituído apenas de arroz, ovo, sopa e peixe salgado.

Após essa refeição, ele se dirigia à loja. Nidai- Sama o acompanhava até à porta e perguntava: “O que devo fazer para o jantar?” Então, Meishu- Sama dava instruções: “Compre camarão ou compre marisco-bobo ¹”. Ela, para se assegurar do que ele dissera, perguntava: “É bobo mesmo?” e ele, gracejando, respondia: “Sim, bobo, o autêntico bobo!” e saía. Recordo tudo isso como momentos prazerosos do casal.

Pelo menos uma vez por semana, Meishu- Sama me convidava, dizendo: “Hoje, vamos comer fora, venha conosco.” Em Kyobashi, havia um restaurante francês chamado US. Como ele gostava muito do lugar, freqüentava-o assiduamente. Quando Nidai-Sama chegava ao local atrasada, Meishu-Sama chamava sua atenção, sem se importar com as pessoas ao redor: “Você ainda não se corrigiu?” Nessas ocasiões, ela dizia simplesmente: “Desculpe-me.”

Ficou gravado em mim o fato de Nidai-Sama, ao voltar para casa, dizer, em tom de brincadeira: “Fico muito envergonhada porque meu marido me repreende na frente das outras pessoas com a maior naturalidade” e o assunto terminava por aí.

Um familiar

Reminiscências sobre Meishu-Sama vol. 3

1. Em japonês,  o termo é : bakagai. Baka quer dizer bobo; gai, marisco

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