Pessoa Má, Teu Nome é Tolice

O que é uma pessoa má? Sem dúvida, é o oposto do indivíduo bom. É alguém que, além de não se importar em sacrificar o próximo em favor de benefício próprio, age dessa maneira com vistas a algum interesse específico. Primeiramente, desejo analisar a mentalidade desse tipo de pessoa.

Os malfeitores costumam dizer “eu aproveito a vida, porque ela é curta”. Imagino que falam assim porque a má fama é algo que se espalha rapidamente. Como sabem disso desde o início, mesmo que sejam descobertos, estão dispostos a encarar tudo como algo fadado a ocorrer.

Quando se fala em delitos, em geral pensa-se que sua prática se restringe aos bandidos, ladrões ou assassinos, mas não é bem assim. Pessoas de alta posição social também cometem atos ilegais considerados extremamente graves. Os jornais e as revistas de pós-guerra têm estampado sucessivamente notícias sobre ocultação e desvio de mercadorias, sonegação de impostos, suborno. Assim, a realidade nos tem mostrado que a incidência de crimes abomináveis é demasiado grande. Muitos acham até estranho que pessoas consideradas realmente notáveis estejam na prisão. Então, por que será que elas cometeram tais delitos? Evidentemente, partem do pensamento de que, conseguindo enganar habilmente as pessoas, ninguém cará sabendo. No entanto, a maldade sempre acaba sendo descoberta, pois as divindades a tudo observam do invisível Mundo Espiritual. A nossa frequente afirmação de que a pessoa sem fé oferece perigo se refere a isso. No entanto, pessoas de grande destaque não conseguem perceber esse importante ponto.

Com a descoberta do delito, a pessoa é vista como criminosa e perde a confiança da sociedade. Para recuperá-la, evidentemente leva-se muito tempo. Entre estas, há pessoas sem muita sorte, que passam o resto da vida “afundadas na desgraça”. Basta pensar um pouco para imaginarmos que os danos e os prejuízos são inúmeras vezes maiores que o lucro obtido por meios ilícitos.

No Período Meidji [1868–1912], o conhecido assaltante à mão armada, Sadakitchi Shimizu [1837–1887], quando foi preso, assim se referiu ao seu

passado com muito arrependimento: “Não há ‘negócio’ tão ruim quanto o roubo. Se eu dividisse o dinheiro que roubei até hoje, o resultado seria de apenas 45 centavos por dia.” Concordo que não deve ter sido compensador, por mais baixo que fosse o custo de vida no Período Meiji.

Praticar o mal não é compensador nem do ponto de vista religioso nem com base em cálculos matemáticos. Além do fato de o criminoso não poder dormir tranquilamente em decorrência da constante inquietação de que é tomado até ser descoberto. Por esse motivo, digo que não há ignorante maior que o indivíduo que comete delitos. Assim sendo, afirmo, tal como o título deste Ensinamento: “Pessoa má, teu nome é tolice.”

Jornal Hikari no 7, 30 de abril de 1949

Alicerce do Paraíso vol. 5

O título deste Ensinamento, “Pessoa má, teu nome é tolice”, nos remete a uma citação do dramaturgo inglês William Shakespeare (1564–1616), em sua obra Hamlet. Nesta peça, inúmeras citações importantes aparecem, como “Ser ou não ser, eis a questão”. Pela construção gramatical utilizada por Meishu-Sama no título deste Ensinamento, presume-se que seja uma paráfrase à citação: “Fragilidade, teu nome é mulher…”, da mesma peça.

 Título anterior: “O homem mau é ignorante”.

89 Views

Partilhar amor

Procura mais alguma coisa?

Relacionados:

Experiência de fé do dia
Reminiscência do dia
Ensinamento | Estudo Diário