Manuel Domingos – JC Canata – Benguela – Angola

Campanha de Combate à Malária

Por permissão de Deus e Meishu-Sama, durante o período de confinamento do covid-19, no princípio do mês de março, tive a permissão de mudar de residência para o bairro do Liro de frente à escola Dr.  Agostinho Neto, ficando assim próximo do Johrei Center.

Fiquei muito feliz, visto que antes residia na zona Alta do Lobito e era muito longe da unidade. Tinha várias dificuldades para chegar às 6h na unidade para realizar a oração matinal. Devido às medidas de restrições do estado de emergência, os táxis reduziram, havia proibição da circulação de pessoas e permanência na via pública. Durante vários dias, fiquei sem poder ir à unidade. Esta mudança facilitou bastante as minhas dedicações. Eu apenas agradecia esta graça e dizia que Deus viu meu sofrimento e ajudou-me.

Mas, no passado mês de maio, recebi a visita do superior que ao constatar o bairro perguntou-me: “Filho, porque Deus lhe trouxe aqui?” e eu respondi como já explanei acima. Em resposta, me disse: “Muitas vezes, podemos ter o paraíso em casa, mas, o bairro à nossa volta é a imagem do inferno!” e continuou: “Imagina que o Messias está a viver em sua casa e quando ele abre o seu portão o que ele vê em frente a sua casa? Paraíso ou inferno?” Como nos encontrávamos mesmo de frente da escola eu disse que era inferno, visto que a escola encontra-se abandonada há mais de 8 anos devido às fortes inundações. Em frente da mesma, tem um pantanal coberto de muito capim. A escola passou a ser alvo de práticas de marginalidade onde violavam mulheres, fumavam maconha e defecavam dentro e fora da escola. No pantanal, alguns vizinhos deitavam o lixo, e havia muita água, produzindo assim muitos mosquitos. Segundo relatos de alguns moradores, a maioria das mortes do bairro era motivada pela malária. Prometi fazermos a limpeza, mas com muitas dúvidas.

Mesmo depois de ouvir atentamente o superior, agradeci, mas dentro de mim disse que não ia fazer limpeza neste local, pois seria muito trabalhoso. Fui ignorando e passadas duas semanas, o superior ao ver que não dava importância à orientação, voltou a incentivar sobre a importância de servir a comunidade e ser útil. Porém, mesmo assim não despertei.  Já no final de Maio, voltou a falar comigo. Desta vez não fez nenhuma pergunta, apenas disse: “Filho essa escola é um local que representa um verdadeiro filme de terror!”. Essas palavras foram como se alguém tivesse tirado uma fita nos meus olhos e enxerguei realmente que o superior estava certo. Era urgente fazer uma campanha de limpeza. Foi então que, no dia seguinte, entrei na escola e constatei a quantidade de lixo que havia. Em seguida, dirigi-me à casa do coordenador do bairro e ao Soba para comunicar a intenção de realizarmos a limpeza. Fomos bem recebidos e comunicamos também à administração local e a polícia nacional que se mostraram agradecidos.

Organizamos alguns missionários para passarem casa a casa dos fiéis para comunicar e nos mobilizarmos. Durante a semana de preparação, fez-se a contribuição para compra das flores e no dia 6 de junho do corrente ano, demos início à campanha de limpeza, que decorreu das 6h às 14horas. Contamos com apoio da Administração local com trator, carros de mão, vassouras, enxadas e pás. Compareceram também o coordenador do bairro, alguns agentes da polícia que faziam rondas no local e uma ambulância que nos ajudou a compreender as medidas de segurança, no caso de alguém precisar dos primeiros socorros.

Os membros dedicaram de forma descontraída, alegres e emocionados visto que já há quase 3 meses que não nos encontrávamos. Durante a dedicação, foram respeitadas todas medidas de biossegurança usando máscaras, luvas e alguns com botas de chuva. Contou com a participação de 90 fiéis, 16 moradores e 6 voluntários que estavam de passagem e acabaram participando. Foram distribuídas 65 Ikebana, 28 mini Ikebana e 1.626 flores de luz nas casas vizinhas, lojas, ruas, nos carros que passavam, que receberam com muita alegria. Fomos bem recebidos nas casas. Todos nos agradeciam e incentivaram a continuar. Prometeram que na próxima campanha, também vão participar.

Muitos dos meus vizinhos que deitavam lixo no pantanal disseram: “Nos sentimos muito envergonhados ao ver vocês tirarem todo lixo que havia! Nós nunca vamos voltar a deitar lixo no pantanal! Vamos cuidar juntos. Nós não sabíamos que eras pastor! Foi Deus que te mandou aqui. Seja bem-vindo ao nosso bairro! Nós já vivemos aqui desde 1975, mas nunca fizemos o que vocês estão a fazer. Apenas nos revoltávamos com o governo por abandonar a escola e fazer as crianças irem muito longe para terem aulas enquanto podiam reabilitar. Aprendemos que mais do que criticar, temos que fazer a nossa parte.”

Outros jovens que frequentavam o local durante as noites para fumarem, disseram: “Nem acreditamos que nós ficávamos mesmo no meio de tanto lixo e não nos sentíamos incomodados!”. Perguntaram se éramos do governo e se vamos reabilitar a escola. Foi-lhes esclarecido que somos um grupo da igreja!  Eles agradeceram muito.

Algumas mamãs gritavam “Essa escola formou Doutores e vários quadros do nosso país. Muito obrigado! Vocês vieram do céu para fazer essa limpeza!”

Os membros saíram da limpeza motivados e renovados, pois há muito que não se sentiam tão úteis.

Muito obrigado pelas sábias orientações!

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