Existem Fantasmas?

Desde épocas remotas, há controvérsias sobre a existência de fantasmas, mas eu afirmo que eles existem. Trata-se de uma realidade que ninguém pode negar. Acredito que a tese do Inferno e do Gokuraku , pregada por Buda Sakyamuni, assim como a do Paraíso, Inferno e Purgatório da “Divina Comédia72” de Dante Alighieri, não são absolutamente sem fundamento.

O que é o Mundo Espiritual? Em síntese, é o mundo da vontade- sonen . Sem o empecilho material do corpo físico, há uma incrível liberdade de locomoção.

Pela vontade, o espírito pode ir aonde quiser, muito mais rápido do que uma aeronave. No ritual de chamamento dos espíritos no xintoísmo, diz-se: “Tomai assento neste santuário, percorrendo céus e terras.” Isto significa que um espírito pode cobrir a distância de mil léguas74 em alguns minutos ou até segundos. Entretanto, a rapidez com que ele se move depende do seu nível espiritual. O espírito elevado, isto é, aquele que atingiu qualificação divina, é mais veloz. O espírito divino de níveis mais elevados pode chegar ao local mais distante em um espaço de tempo menor do que a milionésima parte de um segundo; já o espírito de nível inferior leva algumas dezenas de minutos para cobrir mil léguas. Isso porque, quanto mais baixo o nível do espírito, mais pesado ele é, devido às impurezas.

Ainda, com o próprio sonen, o espírito aumenta ou diminui de tamanho livremente. Em um butsudan – oratório budista – de mais ou menos trinta centímetros de largura, podem tomar assento várias centenas de antepassados. Nesse caso, cada um ocupa a posição adequada ao seu nível, com a vestimenta apropriada, observando rigorosamente a ordem.

No culto budista, os espíritos assentam em tabuletas de madeira em que estão escritos os nomes budistas dos falecidos; no ritual xintoísta, assentam em um espelho, pedra, letra ou galho de árvore.

Logicamente, os espíritos ficam muito satisfeitos pelos cultos que lhes são oferecidos de coração, mas o mesmo não ocorre se são atos apenas formais. Assim, por ocasião dos sufrágios, as pessoas devem realizá-los com a máxima sinceridade e esmero, dentro de suas condições.

Desde épocas remotas, fala-se em pessoas que ocasionalmente veem fantasmas; na maioria dos casos, entretanto, trata-se de espíritos que desencarnaram há pouco tempo. O grau de densidade das células espirituais dos recém-falecidos é elevado, razão pela qual esses espíritos podem ser vistos por algumas pessoas. Portanto, nada há de estranho no fato de muitos terem visto a ressurreição e a ascensão de Jesus Cristo. Como o espírito de Jesus era elevado, ascendeu ao Céu. Com o passar do tempo, o espírito desencarnado vai-se purificando e se tornando cada vez mais rarefeito e, assim, mais difícil de ser visto.

Um fantasma pode entrar e sair livremente até mesmo por um orifício do tamanho do buraco de uma agulha, pois não tem o corpo carnal que lhe estorve a passagem. Se observarem apenas esses pontos, muitos poderão pensar que o Mundo Espiritual seja o lugar ideal para quem ama a liberdade, mas não é bem assim. Nele, existem leis severas que restringem a liberdade.

Agora, falarei rapidamente sobre a expressão facial dos espíritos. A fisionomia que vemos em algumas pinturas75 representa o instante da morte da pessoa. Com o decorrer do tempo, sua expressão vai mudando lentamente, amoldando-se de acordo com o sonen do falecido. Por exemplo, os apáticos, os pessimistas e os solitários apresentam um aspecto triste, franzino, desolado e arredio; os possuidores de sonen cruel e desumano tomam a aparência semelhante a um ogro; os de sonen demoníaco ficam com a expressão facial diabólica; os de sonen sórdido têm feições repugnantes, e os de bom coração adquirem uma expressão bondosa e bela. No mundo em que vivemos, é possível camuflar o sonen, usando a “casca” chamada corpo físico, mas no Mundo Espiritual tudo se mostra exatamente como é. A mudança da expressão facial ocorre, geralmente, em até um ano após a morte.

No livro de autoria de um renomado religioso, estava escrito: “Quando o ser humano morre, seu espírito se extingue. Não existe a continuidade do espírito nem tampouco o Mundo Espiritual. A razão para isso é que, se existisse, ele já estaria repleto, pois o número de pessoas que morreram, desde os tempos antigos, atinge vários bilhões.” Esse autor, apesar de ser um expoente do budismo, desconhece o livre poder de expansão e de contração do espírito.

5 de fevereiro de 1947

Alicerce do Paraíso vol. 3 pág. 74

 

71 Gokuraku: lugar paradisíaco no mundo espiritual onde vivem os budas e seus seguidores, segundo o budismo japonês.

72 Divina Comédia: poema de viés épico e teológico escrito por Dante Alighieri (1265–1321) no século XIV e dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso.

73 Vontade-sonen: em japonês, ishi(vontade) sonen. Termo utilizado por Meishu-Sama para expressar a intencionalidade do sonen. 74 Légua: em japonês, ri. Medida de distância que, no Japão, equivale a 3,92 km.

75 Pinturas: é comum na cultura japonesa pinturas com o desenho de fantasma

 

 

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