“A pessoa sem fé tem um destino oscilante tal qual os…” – 1ª Parte

A pessoa sem fé tem um destino oscilante tal qual os aguapés, que vivem flutuando sobre as águas.

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que, com a expressão “crentes”, queremos nos referir aos que professam a nossa fé, e não a praticantes de outras religiões.

Sem retroceder ao passado e observando, de maneira objectiva, as pessoas que vivem no mundo actual, chegamos à conclusão de que a expressão “pobres ovelhas”, usada por Jesus Cristo, é bem adequada. Pensemos: quantas criaturas vivem realmente sem quaisquer preocupações? Entre aquelas que afligem o ser humano, a que se poderia colocar em primeiro lugar é a doença. Ninguém sabe quando será acometido por alguma enfermidade. Pode ser que fiquemos gripados daqui a uma hora: pode ser, inclusive, que a gripe se agrave e se transforme em pneumonia, ou talvez em tuberculose. É possível que esta noite tenhamos uma crise de apendicite e acabemos nos contorcendo com dores agudas, ou que, de uma hora para outra, venhamos a contrair tifo ou alguma doença de origem desconhecida. Quem tem filhos, corre o risco de vê-los acometidos por epidemias, como difteria ou meningite, por exemplo, e em poucos dias ver suas vidas ceifadas. As pessoas de idade, por sua vez, podem, a qualquer momento, viver a tragédia de um derrame cerebral que as paralise parcialmente, prendendo-as ao leito durante anos a fio. É possível, também, que algum de nossos familiares contraia uma doença infectocontagiosa e tenha de ser internado em quarentena.

As coisas não param por aí. Da maneira como são altas as despesas médico-hospitalares, não se sabe quanto se gastará com tratamentos e internação. Se a doença for debelada em pouco tempo, tudo bem. Todavia, se o tratamento for prolongado, as economias feitas com sacrifício ao longo dos anos serão totalmente consumidas. Pode mesmo ocorrer que, embora recupere a saúde, a pessoa seja despedida do emprego e termine perambulando pelas ruas. Conseguindo salvar-se, ela ainda pode trabalhar e se reerguer. Todavia, se, por um golpe de azar, acabar falecendo no auge da vida, o que advirá? Tratando-se de um chefe de família, como seus familiares irão sobreviver? Ele próprio deixará inacabados seus projetos e empreendimentos. Ora, é realmente lamentável que um homem, no ápice de sua existência, tenha de deixar este mundo. E quem pode garantir que um chefe de família nunca se deparará com a ameaça de precisar romper os laços com a esposa e os amados filhos, e que essa situação se torne insuportável para ele? Quando pensamos em circunstâncias desse tipo, o medo das doenças sempre pesa como chumbo, e isso não é exceção para ninguém.

Se a vida é tão terrível como dizemos, se não podemos livrar-nos da intranquilidade, é como afirmou Buda Sakyamuni: “Este mundo é um purgatório, um mundo de dor, e o ser humano não pode escapar destes quatro sofrimentos; nascimento, doença, velhice e morte. Não há outro jeito a não ser resignar-se e suportar essas condições. Esse é o estado de Iluminação.”

Diante de semelhante quadro, não haveria maior boa-nova que o aparecimento de uma religião capaz de libertar as pessoas da angústia e da doença. Entretanto, quem ouvir falar pela primeira vez sobre o aparecimento de uma religião dessa natureza, dirá: “Como pode haver tamanha tolice neste mundo? Você não está regulando bem!”, chegando a acreditar que se está a um passo da loucura. Não obstante, acreditem, apareceu uma religião assim. Os leitores poderão duvidar uma, duas vezes, ou até negar. Todavia, se souberem que se trata de uma verdade, o que farão? O rebuliço seria tal que provocaria, sem a menor dúvida, a maior sensação no mundo inteiro. Quem é favorecido pela sorte, vai querer fazer uma pesquisa: por outro lado, haverá pessoas que rirão e farão pouco de nós, dizendo que toda essa história não passa de superstição. Tais pessoas são como aquelas que se suicidam pulando nas Cataratas de Kegon ou no vulcão do Monte Mihara. Devo afirmar que são realmente infelizes. (…).

Jornal Hikari, nº2, “Teísmo e ateísmo”,

20 de março de 1949

O Pão Nosso de Cada Dia Pág. 191

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