A Arte de Deus

Como homens contemporâneos que somos, precisamos ter consciência da época em que vivemos. O que quero afirmar ao colocar essa premissa?

É evidente que, por intermédio da invenção do rádio e da televisão, podemos tomar conhecimento dos acontecimentos mundiais em instantes. A cultura material chegou rapidamente até esse ponto. Afinal, o que isso significa? Este é um ponto sumamente importante; porém, quem não consegue percebê-lo, não está qualificado para falar sobre a cultura da actualidade.

Há alguns anos, nos Estados Unidos, começaram a empregar as expressões “nação mundial” e “governo mundial”, que sugerem o prenúncio do advento de um mundo ideal. Trata-se, realmente, de uma séria questão. Uma vez que seja estabelecido um governo mundial, será eleito um Presidente Mundial, cujos candidatos, apresentados pelos países interessados, serão escolhidos entre os povos de cada país. Quando ocorrer a formação deste novo mundo, evidentemente haverá grandes transformações em todos os sectores, e a base destas deve ser a revolução do pensamento humano. Obviamente, ao mesmo tempo em que as ideologias e “ismos” forem banidos, haverá uma integração de todos os pensamentos.

Para melhor compreensão, darei um exemplo. Suponhamos que um exímio pintor faça um grandioso quadro intitulado “O Mundo”. A técnica de Deus seria expressa com perfeição e máxima beleza por meio de várias linhas e cores. Não é nada difícil imaginar que os preparativos para pintar um quadro do mundo necessitariam de vários milénios. As primeiras linhas seriam as mais importantes, pois representariam as fronteiras dos países, e muito tempo seria necessário para serem traçadas. Em seguida, viria a escolha das cores de tintas: vermelho, azul, amarelo, branco, violeta. Em suma, uma variedade delas.

A título de experiência, tentemos aplicar isso aos diferentes povos e países. Quero, porém, alertar que se trata apenas de uma suposição. De acordo com a peculiaridade de sua cor, cada país desempenharia uma função. Assim, usando-se habilmente as linhas e as cores, a obra-prima de âmbito mundial se formaria. O que poderia ser isto senão a grande Arte do Deus Criador? Até hoje, entretanto, considerando a cor de seu país superior às demais, a humanidade buscou pintar essa obra-prima de âmbito mundial somente com uma única cor, razão pela qual não foi possível ser bem-sucedida. Naturalmente, outro factor desprezado foi o tempo. A derrota sofrida pelo Japão e pela Alemanha na última guerra ilustra claramente o que estamos dizendo.

Por analogia, os “ismos” ou ideologias podem ser comparados a cada uma das tintas do quadro. Ou seja, é impossível uma nação pintar com sua cor além de suas fronteiras. Ao fazer isso, ocorrem atritos com nações que têm o mesmo objectivo. Esta é a causa do conflito. Afinal, como isso atrapalha a obra-prima de âmbito mundial elaborada por Deus com base no amor à humanidade, o sucesso é temporário. Vejamos.

A maioria das personalidades que surgiu desde os tempos antigos, acabou sendo punida por ter obstruído a Arte de Deus. Baseadas nesse facto, as grandes potências mundiais devem esforçar-se para tornar mais viva e mais bela a cor de cada país, ao invés de tentarem pintar os outros países com a própria cor. A adopção dessa política está de acordo com a Vontade Divina e possibilitará a concretização do mundo ideal. Pelo exposto acima, é necessário pensar sobre a religião. Da forma como cada religião veio actuando até hoje, buscando pintar a outra com a sua cor, além de não corresponder ao avanço dos tempos, entra em descompasso com o Plano de Deus.

Portanto, reconhecendo a Vontade Divina que está por trás do progresso da cultura, desejo convidar todas as religiões para que, unidas, dando-se as mãos, possamos impulsionar a construção do mundo ideal, que está nascendo em sua nova forma.

Revista Tchijo Tengoku nº11, 20 de dezembro de 1949

Alicerce do Paraíso vol. 5

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