A Importância do Lazer

Quando Meishu-Sama terminava o Seu dia de trabalho, por volta das 16 horas, frequentemente solicitava a minha presença na loja para acompanhá-lo ao Teigueki (Teatro Imperial) ou ao cinema em Guinza ou Asakusa. Gostava muito de cinema e sempre organizava as atividades para que tivesse tempo disponível para poder ver novos filmes.

Não era comum, naquela época, marido e mulher saírem juntos. Assim, chamávamos muito a atenção das pessoas, o que me inibia às vezes. Meishu-Sama não se importava com isso, pois sempre tinha seu pensamento à frente da maioria das pessoas.

Nós vimos uma quantidade enorme de filmes ocidentais. Eu sempre me esquecia do que via, mas Meishu-Sama lembrava- se de todos os detalhes: do enredo aos nomes do diretor e dos atores. Durante a sessão, às vezes, Ele cochilava. Apesar disso, podia contar tudo sobre os filmes. Acredito que alguma parte de Sua mente continuava desperta enquanto dormia. Quando os filmes eram interessantes, Ele os assistia atentamente, observando os figurinos de perto e anotando cuidadosamente qualquer coisa que lhe desse alguma ideia para o Seu negócio.

Além de assistir e gostar de filmes americanos e europeus, Ele também gostava de ver shows japoneses, puramente cómicos, como havia em Asakusa. frequentemente o vi rindo de cenas engraçadas, com lágrimas escorrendo pela face.

Ele também assistia a peças populares. Seu lazer era bastante diversificado, pois tinha interesse por tudo. No entanto, não via constantemente peças de teatro cabúqui, pois era necessário dispor de mais tempo para assisti-las e devido aos grandes atores não participarem mais delas. Mas ia com frequência ao teatro em Tsukiji. Afinal, gostava da interpretação de Sadao Maruyama.

Meishu-Sama ouvia com frequência música ocidental dos grandes clássicos, mas não apreciava as melodias tristes, nostálgicas e pesadas. Deliciava-se em ouvir o Messias (Haendel), Carmen (Bizet), Aída (Verdi), Guilherme Tell (Rossini), Orfeu no Inferno (Offenbach) e Danúbio Azul (Strauss), entre outras. Apreciava também célebres valsas, uma variedade de marchas e obras dos grandes compositores. fiquei surpresa a primeira vez em que O vi com um sobrinho, marcando alegremente com as mãos e os pés, o ritmo das músicas.

Quando havia algum concerto ou estreava uma peça de teatro ou companhia de balé estrangeira, Ele era um dos primeiros a comprar o ingresso. Não apreciava somente a música e os espetáculos artísticos, mas também a atmosfera que sentia num teatro.

Por Nidai-Sama

Reminiscência sobre Meishu-Sama vol. 1

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